A Polícia Municipal de Matosinhos impediu, ontem, a saída do porto de Leixões de três contentores com líquidos inflamáveis, sem a identificação necessária para circularem.
A mercadoria (aerosóis, resina e líquidos orgânicos corrosivos) foi transportada de comboio de Lisboa (partiu do Porto de Alcântara), já sem respeitar a sinalização obrigatória. Foi interceptada pelos agentes na estação de mercadorias de Leixões, que funciona como um interposto para o Norte do país.
Daquela estação, os contentores em causa seriam transportados, presumivelmente em camiões para os destinos previstos. Sem a identificação de matérias perigosas, a carga poderia vir a ser transportada como qualquer mercadoria, quando a lei obriga ao acondicionamento em veículos próprios e devidamente assinalados.
"Este é que é o problema, saem em camiões e circulam sem qualquer precaução nas estradas, o que é um perigo em caso de acidente", explicou, ao JN, Salgado Rosa, comandante da Polícia Municipal de Matosinhos.
O responsável máximo daquela força policial informou que a legislação obriga a que este tipo de mercadorias seja identificado com uma ficha de segurança - na qual é referida a natureza do produto, o que pode provocar e as medidas a tomar em caso de acidente - e uma etiqueta de perigo bem visível. Segundo Salgado Rosa, na recepção da carga, a CP costuma tomar uma medida de precaução extra, que passa por separar os contentores com mercadorias perigosas dos outros.
Suspeitas levaram à acção
De acordo com o comandante, a Polícia Municipal recebe do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil e da CP informação sobre todo o material circulante de matérias perigosas, indicações sobre os locais onde vai passar, as regras de circulação e as medidas a tomar em caso de acidente.
Ontem, uma suspeita de que haveria contentores por identificar levou a Polícia Municipal de Matosinhos a deslocar-se à estação férrea de Leixões para proceder à verificação dos mesmos. "Suspeitamos que já tenha acontecido antes", revelou Salgado Rosa. Aquela força policial vai, agora, informar o SNBPC que deverá tomar as medidas necessárias junto da empresa exportadora.Inês Schreck
