Talvez pela bonita paisagem que a vista alcança, no alto do outeiro; talvez pelas histórias de conquistas, de amores e desamores, de reis e rainhas; talvez pelo mistério de um passado longínquo ainda por explicar. Por estes ou por outros motivos, certo é que o castelo de Óbidos e a sua vila amuralhada têm, desde há muito, um encanto e um poder de sedução místicos. Seja pela riqueza artística e monumental indiscutível, seja pela tipicidade de uma povoação de características atlântico-mediterrânicas, Óbidos atrai diariamente turistas de todo o mundo. Por isso, muitos são os investigadores que defendem esta "maravilha" portuguesa.
Até à conquista de Óbidos aos mouros por D. Afonso Henriques, em 1148, poucos factos são conhecidos. O cabeço, onde foi posteriormente construído o castelo, faz parte de uma estrutura geológica que bordeja um antigo mar interior, do qual resta uma lagoa. Pela sua localização estratégica, pensa-se que ali existiu um castro - povoação fortificada romana ou pré-romana - e que houve fixação populacional, desde a pré-história. No entanto, os primeiros vestígios, descobertos em 2006, remontam ao período de ocupação muçulmana. Os árabes terão ocupado a zona da cerca velha e construído a alcáçova, que servia de residência ao governador, no lugar onde se ergue o castelo.
Como conseguiram os cristãos tomar Óbidos aos mouros? Parte dos soldados subiram a encosta pelo lado nascente, camuflados de ramagens. Conta-se que a filha do alcaide disse que as árvores estavam a mexer-se, mas o alerta foi tardio e já não impediu que os cristãos entrassem no castelo, ajudando os soldados que permaneciam no exterior, a Sul. Conquistado este ponto estratégico, Óbidos ganha rapidamente visibilidade. Começa a crescer para Sul, mais favorável em termos climatéricos, e a muralha expande-se, acompanhando esse desenvolvimento populacional. Foi traçada no século XV a configuração que existe ainda nos dias de hoje. Também as características urbanísticas e arquitectónicas muito devem a este período medieval. O paço acastelado é revelador desse crescimento, com várias reconstruções, desde as mais arcaicas aos reinados de D. Dinis e D. Fernando.
Óbidos seria doada à Casa das Rainhas. Ali, residiu a rainha Santa Isabel, por diversas vezes. Mas D. Leonor e D. Catarina deixaram também as marcas de uma perspectiva feminina que ainda hoje se respira na vila. Assim se explica também uma intensa expansão artística, nos XVI e XVII, influenciada sobretudo pelos movimentos renascentista e barroco.
Ao auge, seguiu-se um período de decadência e algum abandono, após o terramoto de 1755. Foi a partir do século XX que algumas pessoas se movimentaram em defesa deste património, que permanecia intacto o castelo, as muralhas, as ruas de traçado irregular, as fontes e as casas caiadas, debruadas com uma barra de cor.
Uma jóia chamada porta da vila
A porta da vila, uma jóia barroca, ornamentada com azulejos em honra à padroeira Nossa Senhora da Piedade, é um exemplar extraordinário das ordens decorativas portuguesas daquele período. A nascente, foi construída outra porta, da Senhora da Graça, que constitui um verdadeiro hino ao amor. Foi mandada edificar por Bernardo da Palma em honra da sua filha, que morreu de desgosto de amor. Uma capela (altar) foi construída sobre a porta da muralha enquanto a rua forma o corpo da igreja.
Igrejas e castelo são visitas indispensáveis
Todos os espaços encontram-se abertos ao público e são gratuitos. Junto à muralha, existem três parques de estacionamento, um dos quais pago por ser alcatroado e vigiado. Aconselha-se uma visita às sete igrejas, destacando-se as de Santa Maria e S. Pedro, e ao paço acastelado manuelino, transformado em pousada, desde 1950. Tem dez quartos e está aberto todo o ano.
Dois milhões escolhem a vila para passear
São cerca de dois milhões por ano os visitantes que elegem Óbidos para passear. Para este número, têm contribuído os vários eventos, organizados pela Câmara, como o festival de chocolate e a feira medieval.
