São cem mil os portugueses considerados "fundamentais para o país", pelas funções que ocupam, e que por isso vão receber antivirais, em caso de pandemia provocada pela gripe das aves. Esta uma estimativa feita pelas autoridades de Saúde e que tem em conta a necessidade de assegurar a continuidade de serviços essenciais à população.
Profissionais de Saúde e responsáveis por sectores da água, electricidade, gás, alimentos e forças de segurança contam-se entre os cem mil portugueses a quem será ministrado, durante seis semanas, o antiviral reconhecido como capaz de combater a gripe humana provocada pelo vírus H5N1. Esta informação foi ontem prestada por Graça Freitas, subdirectora-geral de Saúde, que esclareceu não estar ainda disponível este lote, que se inclui num outro, de 2,5 milhões de doses, com um custo de 25 milhões de euros. Esta quantidade de oseltamivir, que chegará a Portugal no segundo semestre deste ano, permitirá tratar um quarto da população portuguesa, no caso de se declarar a pandemia. A sua armazenagem será feita em pó, para melhor conservação, dado que em comprimidos é menos estável. Para já, o país dispõe de 11 mil tratamentos completos de oseltamivir.
Condições de higiene
O director-geral de Saúde garantiu, ontem, que Portugal está preparado para enfrentar qualquer situação e que não viverá uma situação idêntica à da Turquia, onde morreram quatro crianças com a gripe das aves. Francisco George, que falava aos jornalistas à margem de uma conferência sobre "Vírus respiratórios em Pediatria", considera que as condições de vida e de higiene estabelecem a diferença. Na Turquia, lembrou, as crianças conviviam com as aves doentes, tratavam delas e chegaram mesmo a brincar com algumas já infectadas ou mortas.
O director-geral de Saúde anunciou também que é esperada, em Abril, uma missão de peritos da Comissão Europeia e da Organização Mundial de Saúde. Eles deslocam-se a Portugal para proceder a uma auditoria ao Plano de Contingência Nacional para a Pandemia de Gripe e avaliar a sua eficácia. Este é um documento que já entrou na sua terceira versão, sendo alterado à luz do que se vai conhecendo sobre o vírus H5N1 e a sua expansão. O referido plano contempla medidas nas áreas da informação em saúde, prevenção, contenção e controlo, comunicação e avaliação.
OMS prepara especialistas para intervenção rápida
A Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu formar uma equipa de cem pessoas com diversas especialidades para enfrentar o primeiro impacto de um surto de gripe aviária entre humanos.
A OMS vai treinar especialistas para intervenção rápida logo que surja um surto de gripe das aves em pessoas, foi ontem anunciado em Genebra. Da equipa inicial de uma centena de pessoas, a serem formadas até ao Verão, farão parte epidemiologistas, técnicos de laboratório e peritos em logística. O anúncio foi feito após uma reunião em que a OMS analisou as medidas das autoridades de Saúde para contenção e respostas rápidas à epidemia. Segundo Keiji Fukuda, director da OMS para a gripe, uma questão não resolvida, por levantar dúvidas éticas, é a imposição de quarentenas e o tratamento a pessoas infectadas.
Agora, depois do aparecimento de uma fuínha infectada, na Alemanha, os especialistas admitem que surjam mais casos de mamíferos com o vírus H5N1. No entanto, eles reconhecem que é, por enquanto, impossível saber como e se o vírus se transmitirá entre humanos.
