Como se fez o êxito "Ninguém como tu"
José Eduardo Moniz explicou, ao JN, o grau de intervenção que detém na escolha de uma novela da TVI Críticos reconhecem valor intrínseco do guião de Rui Vilhena
Muitos episódios deitados ao lixo, logo no início, e algumas pessoas despedidas serão factos marcantes da produção deixados pela passagem da novela "Ninguém como tu", que está prestes a terminar. A estação disse ontem, de novo, que o destino das personagens será conhecido por estes dias.
Mas, com toda a probabilidade, esta campeã de audiências da TVI vai ser mais recordada pelo reforço do estatuto de estrela para Alexandra Lencastre, que recentemente negociou a exclusividade com aquela estação, e também pelo reconhecimento de Rui Vilhena como guionista revelação no mercado nacional.
Isto sem falar das audiências obtidas pela novela, que nos oito meses de exibição em muito ajudou a estação dirigida por José Eduardo Moniz a conseguir, este ano, a maior fatia de espectadores de televisão, colocando em segundo plano a SIC.
Analisando só os dois últimos dias de Novembro e os dois primeiros de Dezembro, a novela protagonizada por Alexandra Lencastre conseguiu liderar sempre o dia, sendo o "share" (calculado entre as pessoas que estão a ver televisão naquele período) mais alto de 47,7% e o mais baixo de 43,9%. E ao longo dos meses anteriores, foi quase sempre assim, em liderança, não fora a exibição na SIC de "Senhora do destino" ter conseguido, nos primeiros meses, morder-lhe os calcanhares.
"A nossa ficção permite contar histórias portuguesas que muitos portugueses até agora desconheciam", afirmou José Eduardo Moniz, que está por trás de todo este fulgor da ficção nacional. Por exemplo, a decisão de interromper a produção inicial de "Ninguém como tu", reformulando todo o processo, foi do director-geral.
Moniz explicou ao JN qual o grau de intervenção que detém neste tipo de projectos da TVI. "Na fase inicial, no que diz respeito aos primeiros 10 a 15 episódios , gosto de estar bastante envolvido. A fase de arranque é a que eu considero vital. A partir daí, as novelas zarpam e fazem a sua vida normal, até por que me é impossível acompanhar de perto o restante processo". Convém lembrar que Moniz é ainda responsável pela Informação.
Na descrição do processo criativo e executivo entre a NBP e a TVI, ambas pertencendo ao universo empresarial da Media Capital, constata-se que José Eduardo Moniz faz a charneira entre todos os envolvidos, sejam eles os guionistas, os produtores, os realizadores ou as próprias NBP e TVI. Polido, Moniz comenta a questão de forma lacónica "Temos uma boa articulação com a NBP".
Confiar na história
Como é óbvio, o processo inicia-se com a ideia para uma novela, que tanto pode partir NBP, da Casa da Criação (empresa criativa de guiões, também ligada à Media Capital) ou de um qualquer autor que consiga fazer chegar a sua ideia às pessoas certas. Mas a ideia também pode nascer na própria TVI, acrescentou José Eduardo Moniz.
Segue-se a fase em que se estuda a viabilidade da ideia. Se for aprovada, os textos são lidos com atenção, fazendo-se acrescentos para desenvolver a ideia inicial. Daqui resulta uma primeira sinopse, que será alterada "até haver um esqueleto de história que dê confiança a todos nós", concluiu Moniz. Só aí começa a escrita dos episódios.
Quanto a actores, diz Moniz, "a NBP sugere três ou quatro. Se não agradar, vamos à procura de outro. Tentamos evitar um desgaste excessivo dos actores, sobretudo no desempenho de papéis parecidos".
