A Corema, associação de defesa do património, acusa a ministra da Cultura e o actual Governo de parecerem estar "mais sintonizados com a defesa dos interesses da empresa concessionária da obra do IC1 e com as pretensões da presidente da autarquia caminhense", do que com a preservação do património arqueológico (arte rupestre) do monte de Góios, entre Lanhelas e Vilar de Mouros.
Em comunicado público, a Corema afirma que o Ministério da Cultura pretende "cozinhar" a ligação do IC1 com a EN13 a norte de Lanhelas, depois de o projecto de execução ter sido reprovado duas vezes pelo Ministério do Ambiente, face aos pareceres da comissão de avaliação, baseados na necessidade de proteger "conjuntos de gravuras rupestres já classificados" ou posteriormente descobertos.
A referida comissão tinha considerado o vasto lote de gravuras como um "conjunto coerente e integrado na paisagem, enquadrado na arte rupestre atlântica do Noroeste Peninsular", concluindo que a sua preservação "deverá ser considerada de forma integral", o que deixaria de acontecer se o corredor rodoviário vier a ser concretizado.
A Euroscut Norte teria apresentado uma terceira versão do projecto de execução, através de um "falso túnel" numa extensão de 480 metros, a poente do monte de Góios, a passar por entre as figuras rupestres "que escaparem às retroescavadoras", denunciam. Este falso túnel seria coberto com betão armado depois de aberto e teria como finalidade "diminuir o impacto visual da auto-estrada", solução definida pela Corema como a instalação de uma "aldeia de Astérix das gravuras rupestres, com moldes de plástico e sinalética".
Luís Almeida
