Éa diversidade e a riqueza do património artístico de Moçambique - tanto na sua forma tradicional, como nos seus desenvolvimentos contemporâneos - o que vai estar, a partir de hoje, em relevo no Teatro S. João, no Porto. Para isso, a Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD), fundada em 1979, apresenta um ciclo de quatro espectáculos de bailado africano que abre a Semana de Moçambique em Portugal.
Das apresentações fazem parte os espectáculos mais representativos do repertório da CNCD, como "N'tsay" e "Em Moçambique o sol nasceu", que sobem hoje ao palco do S. João, às 21.30 horas. "A grande festa" (amanhã, às 21.30 horas) e "A luta continua" (quarta-feira, às 21.30 horas).
No fundo, "a partir da base do folclore, a companhia apresenta várias propostas de abordagem técnica, permitindo que uma identidade, uma simples manifestação cultural, se torne num objecto artístico", explicou ao JN Alberto Magassela, actor e encenador moçambicano.
O artista, que se diz "bastante sensibilizado com a resposta imediata do S. João em acolher esta actividade", também participará da Semana de Moçambique em Portugal, no concerto de hoje à meia-noite no Salão + ou - Nobre do Teatro S. João, do grupo Índico.
"Aqui em Portugal criámos uma associação cívica, a Índico, cujo objectivo é precisamente a divulgação da cultura moçambicana e o incremento da cooperação e bom entendimento entre portugueses e moçambicanos. No seio da associação descobrimos que havia pessoas que ora tocavam guitarra, ora tocavam percussão e fomo-nos juntando à volta disso e brincando", conta Magassela. Por isso, o concerto de hoje "não é mais que essa proposta amadora".
Ainda assim, para o actor, que está radicado em Portugal desde 1994, "não tem sido nada fácil o desenvolvimento de elos de ligação" entre a sua cultura de origem e as novas perspectivas do repertório ocidental. "É muito difícil encontrar uma ponte, porque quando uma das partes não tem meios, a outra deixa desvanecer o sonho", conclui.
