Tudo começou por uma brincadeira de Carnaval quando um grupo de pessoas da freguesia da Cerdeira, concelho de Arganil, se juntou para organizar um Rancho Folclórico com o objectivo de se apresentar no desfile carnavalesco organizado na aldeia, em 1944. A partir desse dia fizeram várias actuações na região e "as pessoas começaram a levar o grupo mais a sério", referiu Arménio Quaresma Filipe, presidente do Grupo Recreativo Malmequeres Cerdeirense, que veio a ser constituído oficialmente em 1948 com a finalidade de manter o rancho.
Em 1992, "o que até então não passava de um grupo que dançava umas modas e vestia o que mais parecia uma farda, uma vez que os fatos eram todos iguais, começou a ser levado mais a sério", referiu Arménio Quaresma. Nesta nova fase, a direcção e os elementos do grupo colocaram de lado as fardas e começaram a fazer um levantamento dos trajes típicos da região característicos dos finais do século XIX, inícios do século XX e das danças e cantares da época. Elaboraram um novo repertório e, assim, deram origem ao que é hoje o Rancho Folclórico Malmequeres da Cerdeira.
No entanto, nem tudo são flores. Num meio tão pequeno e afectado pela desertificação que caracteriza o interior, "não tem sido fácil manter o rancho, não só por falta de verbas, mas, também, de novos elementos, nomeadamente tocadores", salienta o responsável, que diz ter dificuldades em encontrar jovens que queiram aprender a tocar os instrumentos tradicionais e, por isso, têm de recorrer a músicos contratados o que aumenta muito os custos de manutenção do rancho que não cobra qualquer verba nas actuações. As receitas provêm dos apoios da autarquia, da junta de freguesia, das quotas dos sócios e dos peditórios feitos na terra. Sonham com a gravação de um CD, mas "queremos avançar a dançar em terra firme".
Documentação
Actualmente reformado da profissão de Técnico de Telecomunicações, Armando Tavares é vice-presidente de do Grupo Recreativo Malmequeres Cerdeirense. E, tal como na vida da colectividade, também ele vai contando os euros lá em casa, dado que tem três filhos, "todas a gastar", como diz com alegria, uma vez que estudam e por isso "vale a pena o esforço". À direcção do rancho está ligado à seis anos, mas desde a juventude que o folclore é uma paixão. Já foi bailarino, agora faz parte do grupo coral. "Não podemos desistir, se não o pouco que existe da nossa cultura tradicional morre".
Vice-presidente
Armando Luís Tavares
Aposentado
Sócios
Esta é uma colectividade que vive com poucos recursos financeiros, pelo que as quotas dos cerca de 150 sócios são preciosas. Cinco euros é o no mínimo que cada um tem de pagar por ano.
Festival
O Festival de Folclore realizado anualmente ao terceiro domingo de Agosto é outro dos eventos que a colectividade não dispensa. Além da troca de experiências com outros grupos vindos de diferentes localidades do país, onde o melhor de cada região é apresentado, esta é mais uma oportunidade para angariar fundos para o Rancho dada a grande adesão das pessoas.
45 elementos
Do grupo fazem parte 45 elementos. Numa freguesia onde habitam cerca de 300 pessoas nem sempre é fácil arranjar. Andam no rancho famílias inteiras de quatro gerações.
Saber mais
Mónica Augusto
DançarinaDanço em dois ranchos porque gosto muito de folclore. Com 11 anos não há onde ocupar os tempos livres por aqui e esta é uma forma de convívio.
Paulo Alexandre Tavares
Dançarino
Gosto da convivência com as pessoas de diferentes gerações, das danças, da música, das danças e de da cultura tradicional .
Rancho Folclórico Malmequeres da Cerdeira
Maria Generosa Santos
ConsultoraEntrei com 16 anos para o Rancho, dancei, cantei, fui ensaiadora e agora sou consultora para a escolha do repertório.
Aida Silva Almeida
Cantora
Fui gerada no Rancho. Estou ligada a ele desde sempre. Tenho muitos dias que choro as mágoas para dentro e canto com alegrias para fora.
