Tem 18 anos. Já ganhou ouro e bronze em Olímpíadas Internacionais de Matemática. À conta dela, dessa disciplina que é 'bicho- -de-sete-cabeças' para muitos rapazes e raparigas da sua idade, Afonso Bandeira já esteve em países como os Estados Unidos da América (EUA), México e Eslovénia. Em Setembro, fará as malas rumo ao Equador. Tudo sem gostar muito de fazer contas. Paradoxo?
"Ao contrário do que muitas pessoas julgam, a matemática não é apenas números e contas. É lógica. A lógica permite-nos construir raciocínios e, através deles, perceber o que está por detrás das contas. Gosto da matemática abstracta desenvolver teorias e estabelecer relações. A aplicação vem depois", explica.
Natural e residente em S. Pedro do Sul, Afonso Bandeira foi um dos três estudantes portugueses que, este ano, conquistaram medalhas de bronze na Olimpíadas Internacionais de Matemática em Ljubljana, Eslovénia.
Filho de um professor de História e de uma professora de Matemática, Afonso Bandeira concluiu o 12.º ano de Científicas na Escola Secundária de S. Pedro do Sul. A média obtida, superior a 18 valores, garante-lhe entrada na Universidade de Coimbra. Em Matemática, claro. Objectivo seguir a via da investigação.
Ao prazer confessado de viajar, conviver com amigos e navegar na Internet - televisão só às vezes -, Afonso Bandeira junta outro hobby ler livros ou textos sobre lógica matemática.
"Aprender a gostar" de uma disciplina mal-amada é a receita de Afonso Bandeira. "Há coisas simples que podem exercitar-se a partir da infância. Quando era pequeno, perguntavam-me quantas pessoas estão à volta desta mesa? E quantos olhos? Cedo descobri que em vez de contar o número de olhos, bastava-me somar duas vezes o número de pessoas. Duplicar. São raciocínios simples de grande importância para o futuro". Montar puzzles e iniciar o estudo da matemática com jogos é outro desafio. "Temos de aprender a pensar. A perceber. Dá trabalho, pode chegar a ser penoso, mas vale a pena", diz o jovem sampedrense.
A participação em Olimpíadas de Matemática, a partir do 10.º ano, abriu-lhe um mundo novo. "É fantástico. Aconselho vivamente todos os jovens a viverem essa experiência. Depois dela, verão a matemática com outros olhos", enfatiza.
Aposta na matemática depois das Olimpíadas
Até ao 9.º ano de escolaridade, Afonso Bandeira confessa que preferia a Física e Química. Quando participou, pela primeira vez, nas Olimpíadas de Matemática nacionais, já no 10.º ano, a sua vocação ficou esclarecida. A primeira participação, em Tomar, deu-lhe acesso à final. Em Coimbra ganhou bronze.
Um pouco por todo o Mundo
No 11.º ano, Afonso Bandeira ganhou ouro na Madeira, bronze nas Olimpíadas Paulistas e esteve presente nas Internacionais do México. No último ano lectivo, já a frequentar o 12.º ano, o jovem sampedrense voltou ao ouro nas jornadas Paulistas e nas que se realizaram no Porto. Nas Olimpíadas Internacionais de Matemática da Eslovénia, conquistou medalha de bronze. Recebeu ainda o prémio Público/Gradiva Bento de Jesus Caraça para o melhor trabalho do Ensino Secundário em Matemática.
De 23 e 30 de Setembro Equador será destino
A próxima viagem, a última antes de entrar no Ensino Superior, será o Equador. Afonso Bandeira vai estar presente nas Olimpíadas Ibero-Americanas da Matemática em Guayaquil.
