Itália: Família real dos Sabóia exige ao Estado 260 milhões de euros de indemnização
Roma, 21 Nov (Lusa) - A família real italiana dos Sabóia exigiu ao Estado italiano uma indemnização de 260 milhões de euros, acrescidos de juros, por danos morais causados pelo exílio sofrido durante 56 anos, noticiou terça-feira a agência Ansa.
Victor Emanuel de Sabóia, 70 anos e neto de Victor Emanuel III, último rei de Itália, de 1900 a 1946, reclama 170 milhões de euros e o seu filho, Emanuel Philibert, 35 anos, 90 milhões de euros, precisou a agência noticiosa italiana citando extractos de uma emissão televisiva.
A família real exige igualmente a restituição dos bens que foram confiscados pelo Estado italiano durante o seu exílio forçado, de acordo com a Ansa, que não adiantou que tipo de bens e qual o seu eventual valor.
O pedido de indemnização foi entregue pelos advogados dos Sabóia ao presidente da República, Giorgio Napolitano, e ao primeiro-ministro, Romano Prodi.
Carlo Malinconico, secretário-geral da presidência do Conselho de Ministros, sustentou que o governo não deve nada aos Sabóia e que pondera apresentar um queixa contra a família devido à sua responsabilidade na aplicação das leis raciais no país.
Os herdeiros varões da família real italiana foram condenados ao exílio em 1946, devido à colaboração do rei Victor Emanuel III com o regime fascista de Benito Mussolini.
Fixados na Suiça, foram autorizados em 2002 a regressar a Itália graças a uma lei que altera a claúsula de desterro inscrita na constituição.
Victor Emanuel III, avô do actual chefe da Casa dos Sabóia, Victor Emanuel, co-assinou e promulgou, em 1938, as leis raciais do regime de Mussolini que facilitaram, nomeadamente, a deportação de cerca de oito mil judeus italianos a partir de 1943.
O rei abdicou da coroa em Maio de 1946 e o seu filho, Humberto II, sucedeu-lhe, embora só até Junho, já que um referendo popular pôs termo à monarquia. Dias depois, Humberto partiu para o exílio em Cascais.
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