Mocambique Empresa publica de telemoveis pede desculpa por pinturas na ilha de Mocambique
Maputo, 20 Jun (Lusa) - Edifícios históricos da Ilha de Moçambique foram recentemente pintados de azul e amarelo, as cores da maior operadora de telemóveis do país, mCel, prejudicando a "integridade estética" da ilha património cultural da Humanidade desde 1991.
A denúncia foi feita por fonte da UNESCO, que preferiu manter o anonimato, considerando que a campanha publicitária baseada na pintura de imóveis (que as operadoras de comunicações móveis têm adoptado por todo o país) "desvirtua a originalidade dos edifícios".
Esta semana, e após ter sido conhecido o impacto das pinturas, a empresa pediu desculpas à população.
"A mCel é um importante parceiro para a recuperação e valorização da Ilha de Moçambique, mas desta vez foi feito um disparate, com pinturas de propaganda que afectaram a imagem dos edifícios", sublinhou a fonte da representação em Maputo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Em declarações à Lusa, a responsável do sector de relações públicas da Mcel, Açucena Paul, admitiu que "houve precipitação" na campanha de publicidade levada a cabo pela empresa nos edifícios da Ilha de Moçambique, assegurando que a firma subcontratada na zona para essa operação irá remover os anúncios e repor as cores originais dos muros atingidos.
"Recuámos nessa operação, porque compreendemos que a mesma viola até os nossos próprios valores e código de ética. No âmbito do nosso espírito de responsabilidade social, obviamente que respeitámos a cultura", sublinhou Paul.
A mCel adianta ainda que se limitou a trabalhar nos edifícios que foram indicados pelo município da Ilha de Moçambique, gerido pela RENAMO, o maior partido da oposição em Moçambique.
"Só pintámos o que nos foi indicado pelas autoridades do município, tal como tem sido prática", enfatizou Açucena Paul.
A empresa fez publicar esta semana um anúncio na imprensa moçambicana no qual apresenta "à população da Ilha de Moçambique, entidades competentes e público em geral" as "mais sinceras desculpas pelos transtornos causados".
Para a UNESCO, no entanto, a reposição das cores originais em alguns dos edifícios abrangidos pela propaganda da mCel implicará alguns retoques e não apenas a limpeza da tinta.
Aquela organização das Nações Unidas apoia o envolvimento do sector privado, em particular dos empresários, nos esforços de recuperação e valorização da ilha, desde que essa participação não seja em prejuízo da ilha.
PMA/PGF.
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