Bush ganhou as eleições. Como já se previa, dizem os mais finos observadores, aqueles que têm um faro especial para prever os acontecimentos e que, a propósito de tudo e de nada, pespegam com a sua formidável capacidade de (pre)visão. Há os que acham que o povo americano não é tão estúpido como alguns pretendem fazer crer, sobretudo uma meia dúzia de intelectuais a presumirem de chiques e que colaram a Bush a etiqueta de boçal ou coisa assim.
Não, o povo americano sabia muito bem o que estava a escolher, nas eleições mais concorridas de sempre, e mesmo com a economia em descalabro, a despesa pública em alta muito alta, etc., votou em Bush maioritariamente. Sabia o que estava a fazer. Há que respeitar esta prova de maturidade. Há os que se distinguem por uma busca de legitimidade "a posteriori", como no Iraque.
Se Bush teve o primeiro mandato ensombrado pela suspeita de ter ganho no tribunal e não nas urnas, aqui está este folgado resultado a dar-lhe uma legitimidade acrescida e mesmo retrospectiva. Há os que são realistas, e dizem: "A realidade é esta, meus senhores. Não há que fugir-lhe. A verdade é que Bush ganhou e, se ganhou, temos de reconhecer que ganhou". Há os esperançosos, que esperam uma regeneração de Bush no segundo mandato. Em muitos casos, são desiludidos, mas esperançosos. E há os desiludidos de todo, os que se confessam amargamente atingidos pela vitória "bushiana". Como os desiludidos não vão a parte nenhuma, os "previdentes" previram bem e os realistas encaram as coisas como deve ser, mais vale ser realista, reconhecendo a fortalecida legitimidade de Bush, e depositando esperança no futuro. E que Deus o guie.
Artur Costa escreve no JN, semanalmente, às quintas-feiras
