A morte da menina de seis anos, atingida por um espelho na aula de ballet, deixou chocada a população de Torres Vedras. Ontem - um dia depois do funeral da criança - o assunto era comentado nos cafés e ruas da cidade. Os moradores mostravam-se incrédulos com o trágico acidente, cujos contornos ainda estão por esclarecer. A dúvida sobre o que se passou naquela aula atormenta sobretudo os familiares da pequena Inês, inconsoláveis com a perda. Entretanto, a PSP da cidade, que procedeu a averiguações nas instalações da Tuna Comercial Torriense (onde decorria a aula), enviou ontem para o Tribunal a participação relativa ao acidente.
Inês, descrita como uma menina "muito alegre", pediu à mãe para a levar à aula de ballet, na sexta-feira, nas instalações da Tuna, uma vez que, nesse dia, não tinha (como era hábito) catequese. A mãe esperava pelo final da aula numa sala ao lado e foi alertada pelo som estridente do espelho que caiu e pelos gritos de horror das restantes crianças que participavam na aula.
"Foi uma coisa terrível. Quando ela (a mãe) chegou junto da menina, estava tudo cheio de sangue. O espelho tinha-lhe acertado na zona do pescoço e atingido a cervical", contou, ao JN, Maria do Carmo, tia da menina. "Ainda ninguém percebeu como é que aquilo caiu", admitiu. Ao que apurou o JN, tratava-se de um espelho móvel, ali colocado para apoiar as aulas de dança e ballet.
A criança ainda foi transportada pelos Bombeiros ao Hospital de Torres Vedras, mas chegou ali já sem vida. O funeral realizou-se no domingo, mobilizando centenas de pessoas da cidade.
A Tuna Comercial Torriense, uma associação de cariz cultural, foi fundada em 1904. As instalações onde está sedeada (um prédio antigo, pertencente a privados e arrendado à associação) foram, em tempos, um salão de dança. Com algumas alterações, acolhem, actualmente, aulas de ballet e outras actividades de índole cultural e recreativa, como espectáculos e tertúlias.
A presidente da direcção da colectividade, Lucilina Sobreiro, é a professora de ballet. Era ela que ministrava a aula no dia do acidente. "Ficou em choque porque assistiu a tudo", contou a tia da menina, sublinhando que também as outras crianças ficaram perturbadas. "As outras meninas ficaram tão chocadas que não querem voltar a ter aulas", frisou.
Contactada pelo JN, Lucilina Sobreiro escusou-se a falar sobre o caso. "Foi um grande choque. Para mim e para todos", disse, consternada, remetendo uma explicação para "quando todos nós conseguirmos acalmar um bocadinho".
A acompanhar a situação está também a Câmara de Torres Vedras. Fonte do município explicou que, apesar do acidente ter acontecido num espaço privado, a autarquia "está atenta ao evoluir da situação".
Fernando Barão, comandante dos Bombeiros contou que, apesar de antigas, as instalações da associação "dispõem de boas condições", desconhecendo a razão da queda do espelho. Inês estudava ballet desde Setembro.
