Coloca-se as figuras no cenário, dá-se os retoques finais, ultima-se pormenores. Cerca de 150 pessoas trabalham com afinco para que tudo esteja pronto a tempo da inauguração, que contará com a presença da ministra da Cultura. Amanhã, o Museu da Vida de Cristo, situado em Fátima abre as portas. Num edifício com dois pisos, cujos materiais procuram retratar a época em que viveu Jesus, 210 figuras de cera dão vida a 33 cenas, numa alusão aos 33 anos que durou a sua vid.
À entrada, o visitante é inundado de luz, devido a uma clarabóia com 21 metros de diâmetro. A ideia foi precisamente "dar luminosidade ao edifício", esclarece o director do espaço, Carlos Reis, mostrando que a escolha dos materiais e da arquitectura tiveram como propósito "acolher o visitante, de forma a prepará-lo para o ambiente de época". A vida de Cristo é explicada por 11 quadros intercalares, excertos da Bíblia, aludindo a alguns dos episódios mais representativos da sua existência.
Um percurso que começa com Maria, mãe de Cristo, no seu espaço familiar. Nenhum objecto, adereço ou pormenor foi deixado ao acaso. As imagens, apesar de não terem movimento, são de uma expressividade surpreendente e atroz. São réplicas de figuras humanas, têm cabelos negros e algumas são robustas. Contam uma história que não precisa de palavras. Em várias cenas serão associados sons e até odores para reforçar o seu realismo.
Outras terão água em movimento. É o caso do baptismo de Jesus, aos 30 anos, e do episódio em que caminha sobre a água. Para além de Maria e José - presença assídua nas primeiras cenas - os discípulos são as figuras mais repetidas, embora sempre com posturas diferentes, adequadas a cada situação. Quase no final da visita, aparecem todos juntos no episódio da última ceia e, após a ressurreição de Cristo. Para trás, ficaram figuras como Maria Madalena, que aparece a secar os pés de Jesus com os seus cabelos, e Pilatos, que lava as mãos e deixa para o povo a decisão de crucificar Cristo.
Para a recriação do espaço - seja uma gruta, o deserto ou uma sala - foram utilizados os materiais mais diversos, como o ferro, o cimento e a resina. As figuras foram desenhadas por uma equipa multi-disciplinar ligada ao museu, que também criou o vestuário. As imagens em cera foram elaboradas num ateliê londrino, tendo o transporte sido bastante cuidadoso. Segundo Carlos Reis, "a maioria veio em camiões TIR. Mas algumas, mais elaboradas, vieram em transporte especial". É o caso do retrato de Jesus a ser açoitado.
O rosto mais visível deste projecto, e também director, conta que a ideia tem mais de 18 anos e "representa a realização de um sonho." Trata-se de um espaço contemplativo que pode ajudar as pessoas a compreenderem a vida de Cristo. É um espaço de emoções", sustenta. O museu, que resultou de um investimento de 12 milhões, está já a ser procurado por muitos estrangeiros. "Um dia, espero ter 200 mil visitantes anuais", conclui. A entrada custa seis euros.
