O Papa da paz. Foi a expressão mais escutada, ontem, pelos católicos que foram à igreja da Trindade, no Porto. Na homilia da missa vespertina, o padre lembrou o sofrimento de João Paulo II como um sinal de fé. E de vida. "Ficou até ao fim para cumprir a sua missão de paz", disse o sacerdote. Eram, na sua maioria, idosos. Das diferentes freguesias da cidade e também dos arredores. Uns, vieram sós. Outros, com a família. Todos comungavam dor e tristeza pela morte de Karol Wojtyla "O peregrino da paz morreu num dia muito bonito. Fiquei triste por ter partido, mas estava num sofrimento muito grande", reconheceu Lúcia Gomes, 84 anos, reformada de Gondomar. A seu lado, Paulo Jorge Lemos, 30 anos, também considerou o pontificado de João Paulo II como "um exemplo" para a Igreja: "O Papa deu-nos uma lição de vida. Foi incansável o seu trabalho em defesa da paz no Mundo", contou. Quanto aos outros temas que atravessam a Igreja, como a utilização do preservativo, o aborto ou a eutanásia, nem todos os crentes vão à missa de Roma: "A Igreja podia ir mais além. Quando todos os dias morrem milhões de pessoas com sida em todo o Mundo, os cristãos deviam refectir sobre a vida", afirmou Paulo Lemos. "O sofrimento do Papa foi, também, um símbolo do sofrimento de Cristo. Por isso, esteve no seu posto até ao fim. Irá ficar na história da Humanidade como o Papa da paz e do diálogo religioso", contou Isabel Alves. "Foi uma pessoa única e excepcional. A sua doçura contagiou o Mundo. Creio que não teve medo da morte", referiu Maria de Lurdes, uma católica do Porto.
"A Igreja perdeu um homem bom. Audou a atenuar o sofrimento das pessoas. Foi um peregrino da paz e da concórdia. Fiquei emocionada quando soube da sua morte", confessou Fátima Cunha. Quando o relógio da igreja assinalou as 17 horas, a igreja encheu-se de gente. No átrio, alguns pedintes estendiam a mão à caridade. Outros, esperavam a sua vez na escadas. Alheia à mendicidade, uma criança atirava pão às pombas. Símbolo da paz? Os dias continuam cinzentos. E tristes.
"Um homem corajoso e arauto da fé"
"Um homem corajoso, teimoso e arauto da fé". Foi nestes termos que o padre Edgar da Silva, capelão da igreja da Trindade, definiu o Papa João Paulo II. Na homilia da missa celebrada para lembrar a "figura ímpar da Igreja", o sacerdote vincou o pontificado do cardeal que veio do Leste e elogiou o seu contributo no diálogo ecuménico com outras confissões religiosas. "O Papa não se curvou nem renegou a sua fé e origem. Ele foi um fruto da sua educação, da sua terra e cultura. Tinha um dom muito especial", assinalou o padre Edgar Silva, perante os fiéis. "O Papa foi um exemplo reconfortante para todos os católicos do Mundo inteiro. Cumpriu a sua missão até ao limite das suas forças", concluiu o sacerdote.
