Inéditos de Marceneiro recuperados em disco
OCD "Geração Marceneiro", que hoje é posto á venda, reúne pela primeira vez os quatro Marceneiros o célebre patriarca Alfredo, os seus dois filhos, Alfredo e Carlos, e o neto Vítor Duarte. "É a primeira vez que surgem numa edição discográfica todos os quatro elementos da família Marceneiro", revelou fonte da editora discográfica Ovação. Além desta preciosidade, o disco recupera para o digital temas inéditos e já considerados perdidos.
"Preencheu-se uma grande lacuna ao incluir os dois irmãos, pois quando pela primeira vez o conceito geracional tomou forma de disco, em 1973, já Carlos Duarte tinha falecido", esclareceu a Ovação.
Carlos Duarte cantou em várias casas de fado de Lisboa mas preferiu sempre manter o estatuto de amador, tendo morrido em 1966. Deste são recuperados para CD "Vestido azul" e "A casa da Mariquinhas", gravados em 1964, segundo a editora. O cantor é acompanhado por Armandinho (filho) à guitarra portuguesa e à viola por José Inácio, sendo o único que executa dois fados dada a escassez de registos disponíveis.
O outro irmão, que ficou conhecido como "fadista bailarino", Alfredo Duarte Júnior, canta "Três gerações", "Restos da Mouraria" e "Fados do meu pai", que é uma súmula de vários fados que foram êxito na voz do patriarca, Alfredo Marceneiro. Alfredo Duarte Jr. é acompanhado à guitarra por Francisco Carvalhinho, João Alberto e Luís Ribeiro e à viola por Orlando Silva, Amadeu Ramin e José Maria Nóbrega. O fadista faleceu em Lisboa em 1999.
Três apetitosos originais
O disco "Geração Marceneiro" contém três inéditos em suporte digital. Trata-se do fado "A Lucinda camareira", que Vitor Duarte cantou em dueto com o seu filho em 1991 por ocasião do centenário do nascimento de Alfredo Marceneiro, interpretação agora recuperada a partir de uma gravação da RTP. O disco regista também o dueto com o pai no fado "Ser fadista", outro inédito, gravado em 1970. Inédita é também a gravação de 1973 de Vítor Duarte Marceneiro com o seu avô interpretando "O camponês e o pescador", tema que abre o CD.
De Alfredo Marceneiro propriamente dito, encontramos três registos, nomeadamente "Conceito", um fado assinado pelo próprio e com letra de Carlos Conde; "Foi na velha Mouraria", também de Marceneiro com letra de Fernando Teles; e "Cabelo branco", composição de uma dupla recorrente, Henrique Rêgo e Marceneiro.
Todos estes fados foram gravados em 1980, sendo o fadista acompanhado por Francisco Carvalhinho, Ilídio Santos e António Bessa (guitarra portuguesa) e José Maria Nóbrega, Orlando Silva e Fernando Reis (viola).
Os três registos de Vítor Duarte Marceneiro, 62 anos, resultam da recuperação de actuações suas ao vivo, um ambiente onde, segundo afirmou o próprio artista, se sente "melhor".
"Bairros de Lisboa" foi gravado numa actuação na TVI; "Louco" veio de um programa na RTP; e "Fado balada" saiu de uma actuação no Coliseu de Lisboa.
Falecido há 25 anos, a longa carreira de Alfredo Marceneiro abrangeu praticamente todo o século XX, tendo-se distinguido como estilista [forma de variar dentro da mesma linha melódica] e compositor. Alfredo Marceneiro cantou dos bailes de bairro aos cafés de camareiras e retiros até às casas de fado. Deixou numerosos discos, de que se destaca "The fabulous Marceneiro", mas escassos registos videográficos.
