Porto/animais: Autarquia deixa caes considerados perigosos nos bairros - acusa SPA
Porto, 06 Jul (Lusa) - A Sociedade Protectora dos Animais (SPA) denunciou hoje a eventualidade de a Câmara do Porto estar apenas a retirar dos bairros sociais da cidade "cães errantes", esquecendo-se dos animais potencialmente perigosos.
A Assembleia Municipal do Porto aprovou recentemente, por maioria, uma medida que determina que os animais perigosos ou potencialmente perigosos vão ser proibidos nos bairros e habitações sociais propriedade da autarquia.
Com esta medida, quem mantiver cães perigosos em habitações municipais corre o risco de ser despejado.
O anterior regulamento, de 2005, previa apenas uma multa entre os 500 e os 3.740 euros, mas o novo texto inclui o despejo como forma de punição, uma vez que a sanção pecuniária não impediu que as regras continuassem a ser desrespeitadas.
Na ocasião, a deputada municipal da CDU Marta Pereira salientou que "não há animais maus, há donos muito maus", revelando ter adoptado uma cadela já idosa que era usada para lutas entre cães considerados perigosos.
Segundo a presidente da direcção da SPA, Ermelinda Martins, aquela instituição tem recebido muitas chamadas telefónicas a dar conta de que os fiscais da autarquia estão a retirar dos bairros sociais cães ditos normais.
"Os cães considerados potencialmente perigosos continuam nos bairros", frisou a responsável.
Numa carta enviada à vereadora da habitação da Câmara do Porto, Matilde Alves, a SPA alerta para o problema de os cães potencialmente perigosos existirem em famílias "potencialmente perigosas", referindo que estes animais são "usados em situações menos lícitas".
Lamentando a situação, a SPA considera que a autarquia deve agora actuar sem medo, retirando estes animais dos bairros e desalojando os seus donos, se for caso disso.
"A Câmara deve tentar retirar estes animais dos bairros e garantir que não haverá um substituto", disse Ermelinda à Lusa, acrescentando que "o problema tem de ser cortado pela raiz".
Ermelinda contou que a SPA tem em seu poder um cão que "foi todo ferrado" num bairro social da cidade por um cão de uma raça considerada perigosa.
"Lamentavelmente, a lei portuguesa reconhece que há 'animais potencialmente perigosos' mas não faz o mesmo em relação aos respectivos donos", afirma a SPA na carta enviada à autarquia.
Ermelinda Martins alertou ainda para o facto de várias famílias que habitam em bairros municipais estarem a desfazer-se de animais por terem medo de serem despejadas.
A responsável pela SPA afirmou que estes cães ditos perigosos estão em bairros do Porto considerados problemáticos, como Aleixo e Contumil, entre outros, considerando que "a droga está a utilizar estes animais como escudo".
"Onde há droga, há este mundo", frisou, concordando com a ideia de que "os animais são a imagem do seu dono".
A Lusa tentou obter um comentário junto da autarquia mas tal não foi possível em tempo útil.
JAP.
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