A história da Igreja Baptista é também a história do Porto. Foi na capital nortenha que, há 120 anos, nasceu o trabalho daquele movimento em Portugal. E há um século, precisamente, foi criada na cidade a primeira igreja, na Rotunda da Boavista. Hoje, é o pastor de Cedofeita, Abel Pego, que assume a presidência da Convenção Baptista Portuguesa.
Esta semana, nas vésperas de assumir a coordenação da convenção, o pastor Abel Pego preparava-se para receber na sua "casa" um convidado especial. A visita do presidente da Aliança Baptista Mundial , David Coffey, distinguido em 2005 pela rainha Elisabeth II. O reverendo inglês viajou até ao Porto para as comemorações evocativas quer do início do trabalho da denominação evangélica baptista no país, quer da oficialização do seu "Tabernáculo Baptista".
O movimento daquela confissão acabou por ser, para muitos, porta de entrada no universo cristão protestante em Portugal. Hoje, são à volta de 4700 os membros baptizados, do Minho ao Algarve. Isto no contexto da convenção nacional. Numa contagem alargada, incluindo crianças e jovens ainda não baptizados, são cerca de 700 os crentes que frequentam os cultos dominicais. Totais que a igreja explica pelo facto de serem todos membros activos e "empenhados" e não só para fazer número.
Abel Pego já escolheu a sua equipa, todos voluntários que irão coordenar o trabalho comum dos vários pastores. "Não há uma igreja baptista mas uma confissão baptista que tem igrejas locais", explicou o novo presidente da convenção nacional, para demonstrar a autonomia de cada uma. Ou seja, são "comunidades livres". No Norte, são 14 as igrejas associadas e, no Grande Porto, cerca de mil membros, percentagem significativa no conjunto do país.
A convenção é autónoma financeiramente. Quase todos contribuem e 15% das receitas são para trabalho cooperativo.
O trabalho comum, que não tem a ver com a prática local de cada igreja, divide-se em três áreas. Uma delas é a promoção da comunidade, da ideia de pertença e da identidade baptista, com encontros, acampamentos, entre outras iniciativas.
Depois, há o ensino, com destaque para o Seminário Teológico Baptista, em Queluz. O pastor Abel Pego estudou lá, como estudaram muitos líderes e pastores da comunidade.
O terceiro eixo de acção da convenção nacional consiste nas missões, incluindo médicos, enfermeiros, professores e engenheiros. Neste momento, a convenção subsidia dois casais de missionários, um em Moçambique e outro em Angola. E participa em parceiras e em acções não especificamente da confissão baptista mas da aliança evangélica, como o "Desafio Jovem", que visa a recuperação de toxicodependentes e alcoólicos.
Contra toxicodependência
Saindo do âmbito geral da convenção para o plano de intervenção local, destaque, também, para a área social e a solidariedade. Na Maia, por exemplo, existe o Lar Evangélico Português, criado em 1948 e com duas valências crianças e idosos. O lar de crianças e jovens alberga à volta de 70 rapazes e raparigas, entre os dois e os 25 anos, de diferentes pontos do país. A exclusão social das famílias naturais, maus tratos e abandono são razões para serem acolhidos. Alguns chegam das comissões de protecção de menores.
Porém, o pastor de Cedofeita nota que o trabalho social não é a área mais importante da igreja baptista, recordando que o grande objectivo é espiritual, para "ajudar as pessoas a ganhar as resistências necessárias para responder aos desafios e vencer o stress". O lema, bem visível na igreja de Cedofeita "Deus é amor". E há ainda espaço para a formação musical.
