A fazer fé nas audiências, parece que o público, de uma maneira geral, gosta do programa "Fiel ou infiel?" que actualmente a TVI exibe duas vezes por semana, à sexta e ao domingo. Mas, há também quem conteste a moralidade do programa e tenha apresentado queixa na Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Segundo o JN apurou, esta entidade está a analisar três queixas e na próxima quarta-feira tomará uma decisão sobre o programa. "Fiel ou infiel?" é apresentado pelo brasileiro João Kléber, rosto do mesmo programa que vai para o ar no Brasil há mais de quatro anos, e testa a fidelidade dos casais. Trata-se de um programa que põe à prova a resistência da carne e a fidelidade ao homem ou à mulher com quem se é casado ou se vive.
Para Eduardo Vítor Rodrigues, sociólogo e professor de Sociologia na Universidade do Porto, o programa tem todos os ingredientes para ter sucesso. E porquê? Porque "ali vale tudo, ou seja, o interesse são as consequências sociais do programa, vive-se muito a ideia de ver onde o outro chega". Mas, o sociólogo acha também que o êxito do programa da TVI "está associado à vontade tipicamente portuguesa de observar o que se passa na casa do outro". Considera, no entanto, que o programa ultrapassa todos os limites do razoável, classificando-o de "violento, em termos emocionais".
Violência induz audiência
Para Eduardo Vítor Rodrigues "a violência induz audiência". E explica "Já foi assim no 'Big brother', é agora no 'Fiel ou infiel?'". No entanto, considera que este é "provavelmente o programa com maior grau de violência simbólica que a televisão portuguesa jamais teve". A verdade é que este formato no Brasil tem sobrevivido a todas as polémicas, atingindo grandes audiências e em Portugal tem vindo a subir, superando por vezes o "Herman SIC".
É evidente que o ver não é sinónimo de concordar com o teor do programa. Foi, aliás, a essa a conclusão a que o JN chegou de pois de um breve inquérito de rua. Todos conhecem o "Fiel ou infiel?" e são unânimes em considerar que se trata de representações combinadas entre a pessoa que solicita o teste e/ou a pessoa que é "apanhada" pelo actor ou actriz que faz o jogo da sedução.
