O empresário Fernando Dias Ferreira garantiu, ontem, que a actividade da fábrica Cidacel, de refinação e embalagem de azeite, não tem nada a ver com o mau cheiro das águas do rio Ceira, na zona de Foz de Arouce (Lousã), que abastece a rede pública de Miranda do Corvo.
Sobre a insistência das denúncias deste município, que vai buscar 70% da água que consome ao Ceira, o dono da empresa alegou tratar-se de "um problema político-partidário, porque a Câmara de Miranda do Corvo é PSD e a da Lousã é PS".
Segundo Ferreira, ao refinar azeite, em Foz de Arouce, a Cidacel capta e debita 60 metros cúbicos de água por hora, no rio Ceira. Mas os resultados das "dezenas de colheitas" já feitas pelas autoridades estavam "sempre dentro dos parâmetros", lembra o empresário, agastado com as queixas a que a GNR e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro têm reagido com acções de fiscalização, sem êxito.
Há cerca de três anos, uma análise revelou resultados preocupantes. "Apanhei uma coima de 250 euros, não a paguei, fui para tribunal e provou-se que a análise não estava feita correctamente", recorda Ferreira.O empresário diz-se de "consciência tranquila", porque a água usada na refinação de azeite passa por uma estação de tratamento, antes de voltar a ser despejada no rio, justifica. E sugere que a fonte de poluição possam ser lagares implantados junto a afluentes do Ceira, a montante de Foz de Arouce.
O problema, de que o JN de ontem deu novamente conta, já chegou às torneiras de Miranda. "O cheiro da água a azeite é horrível. Hoje fui tomar banho a casa da minha sogra, que pertence a um sector abastecido por nascentes da serra", queixou-se ontem José Henrique Mendes, dizendo que a situação se arrasta há três dias. Nelson Morais
