A Contam-se às dezenas os pescadores desportivos que, dia e noite, de cana na mão, aguardam pacientemente, na praia de Moledo, que um robalo dê o "toque" característico na linha, sinal de que picou. Este Novembro tem sido particularmente fértil em exemplares de tamanho avantajado, com pesos a variar entre os cinco e oito quilos, fazendo as delícias dos pescadores amadores, muitos deles provenientes de vários pontos do Minho ou do Porto.
"Paciência e sorte", é como Artur Escusa define esta arte da pesca à linha, cujo maior exemplar por si colhido nos últimos dias pesava 8,6 kg. A paixão por este hobby é tal que, "se não venho à pesca fico doente", desabafa o pescador natural de Venade.
Um dos veteranos da pesca do robalo nos penedos e praia de Moledo é um arquitecto reformado de 77 anos, Horácio Silva, que desde os sete anos calcorreia e conhece toda a zona costeira como a palma das mãos e não hesita em considerar o "Penedo Vermelho, com bons lagos, boas entradas para o peixe se aproximar e muita profundidade", como o local ideal para as suas pescarias.
A forma como se lida no mar com exemplares de peso acrescido, tem o seu saber "Uma vez, um robalo com mais de cinco quilos picou junto ao Penedo das Freiras e vim tirá-lo de água em frente à Ínsua, a mais de três quilómetros de distância. Estava tão cansado que se me pusessem uma mão na boca abafava".
As opiniões sobre este surto de robalos na costa moledense dividem-se. Horácio Silva garante que estes robalos "não são de cá", sendo provenientes da costa galega, onde "há defeso, o arrasto está controlado e os peixes crescem", o que não sucede no nosso mar, pois os pescadores profissionais apanham-nos durante todo o ano. Há quem, ainda defenda que "fogem" do fuel do Prestige ou são atraídos pela anormal alta temperatura da água (ver caixa).
Referiu que a espécie "gosta do mar mexido" e vem até junto à praia na preia-mar e aí fica "dando massagens na areia para preparar a desova", além de constituir um atractivo para o robalo, a entrada de meixão no rio Minho nesta época, que serve de pasto, pese embora a escassez de capturas destes alevins da enguia, na primeira lua (Novembro) da safra que se prolonga até Abril, assinale-se.
