O Presidente da República retomou, ontem no Alto Alentejo, as preocupações com os incêndios florestais, defendendo um "comando único" para a coordenação das operações de prevenção e combate. "É como costumo dizer aos militares. Quem comanda é o general e não se discute isso", afirmou Jorge Sampaio numa sessão solene no Cine-Teatro Francisco Ventura, em Gavião (ver País, página 31).
"Tem de haver um comando único. Não é possível termos todos a coordenar ao mesmo tempo ou termos frequências de rádio que não se conjugam umas com as outras", advertiu Jorge Sampaio, alertando para a situação que poderá ocorrer no Verão, devido à seca extrema que fustiga o país. "Já viram bem o que quatro meses de seca podem vir a dar em matéria de incêndios?", interrogou o Sampaio, chamando a atenção para a necessidade de Portugal se "preparar, organizar, prevenir e aceitar a competência dos outros".
Ainda evocando os "trágicos" incêndios de 2003 e o problema do abandono da floresta, o Presidente da República lamentou que Portugal não tenha aproveitado todos os fundos de Bruxelas disponíveis para aplicar nesta área. Nesse sentido, apelou à simplificação burocrática, pela Administração Central e órgãos desconcentrados do Estado, em matéria de candidaturas relacionadas com o acesso a fundos disponíveis para o sector florestal. "Por dificuldades burocráticas, de candidaturas, nós não utilizámos todos os fundos que estavam à nossa disposição relativos a 2003", disse.
Liga exorta Governo
Preocupada com a seca que assola o país, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) vai solicitar ao Governo a antecipação, para Maio, da época de fogos florestais e o arranque do Plano de Combate do anterior Executivo. O presidente da Liga, Duarte Caldeira, considerou que "não há tempo para se fazer um novo Plano, pelo que o actual Governo tem de avançar com o que existe, ainda que com correcções pontuais, colocando no terreno os recursos materiais e humanos nele previstos". Frisou, ainda, que a situação de seca que o país vive "impõe uma actuação rápida em termos de disponibilização de meios e exige a antecipação do dispositivo especial que é preparado anualmente para a época de fogos entre Julho e Setembro". As declarações foram feitas à margem da reunião do Conselho Nacional da Liga. Nesse encontro, foi aprovada uma deliberação que contesta uma circular da Direcção-Geral de Impostos que determina o pagamento de IRS ao subsídio de um euro/hora dado aos bombeiros em períodos de fogos". Se o Governo não revogar o despacho em causa até 30 de Abril próximo, a Liga convocará, novamente, o Conselho e dará a conhecer ao Governo que os bombeiros poderão não estar disponíveis para o combate aos incêndios.
*com Lusa
