Oúltimo "Relatório Anual do Sector da Águas e Resíduos em Portugal", relativo a 2006, assegura que a água fornecimento para consumo humano foi "melhor controlada" e os dados sobre a sua qualidade mostram uma "evolução muito positiva". Mas "ainda há um número significativo" de entidades gestoras de pequenos sistemas com análises em falta. O relatório, disponível na internet (www.irar.pt) desde quarta-feira, indica que a percentagem das análises que entidades gestoras de sistemas de abastecimento de água deviam fazer e não fazem baixou 65%, pois passou de 3,69% em 2005 para 1,29% em 2006. Por outros números em 197 municípios (66,33% dos existentes no continentes e regiões autónomas) não tiveram análises em falta, o que mostra que, comparando com 2005, mais 52 concelhos passaram a cumprir as suas obrigações.
O IRAR nota até que aquelas efectuaram mais 22,72% de análises do que as exigidas pela lei, embora esse esforço suplementar tenha sido menor do que em 2006. No entanto, 50 municípios ainda tinham percentagens de análises em falta superiores à média nacional de 1,29%, atingindo 8,17% de falhas. Mesmo assim melhor do que em 2005, quando essa falta era de 20,6% num conjunto de 66 concelhos.
O relatório verifica que a percentagem de incumprimento de valores paramétricos (isto é, que violaram os limites para parâmetros como substâncias químicas, bactérias, cheiro, etc.) aumentou de 2,53% em 2005 para 2,79% em 2006. Mas, observa o IRAR, isso não quer dizer que a água distribuída tenha piorado de qualidade. E explica "o maior rigor que tem vindo a ser introduzido na actividade das entidades gestoras e dos próprios laboratórios (...) vem revelando cada vez mais qual a real qualidade da água para consumo humano".
Os incumprimentos daqueles valores (mais frequentes nos pequenos sistemas) continuam a relacionar-se com os parâmetros bactérias coliformes (7,27% do total), Escherichia coli (2,94%), enterococos (4,79%), acidez (20,43%), ferro (6,36%), manganês (4,19%), alumínio (2,75%) e arsénio (2,85%).
O relatório acentua que os incumprimentos relativos a Escherichia coli e aos enterococos são 784,26% das 2.383 análises em incumprimento dos parâmetros obrigatórios. A maior parte dos incumprimentos diz respeito a parâmetros indicadores (82,58% do total de incumprimentos).
O interior do país com pequenos sistemas (menos de 5000 habitantes) concentra a maior parte das análises em falta (80,28%) e dos incumprimentos (84,15%) registados em 2006.
Évora
A captação de água localizada em São Brás do Regedouro, Nossa Senhora da Tourega, em Évora, registou em 2006 7,5% de análises (duas em 48) com valores de arsénio (respectivamente um e dois) acima do permitido (dez microgramas). Corresponderam a um episódio isolado ao furo deixou de ser usado enquanto os valores não foram normalizados, garantiram a Câmara e a empresa Águas do Centro Alentejo. O furo, que serve 80 habitantes, passou a ser monitorizado.
Barcelos
A empresa Águas de Barcelos nega que em 2006 tenha havido "qualquer inconformidade confirmada relativa ao teor de arsénio, mas o relatório do IRAR menciona 5% de análises. No entanto, é assumido que já este ano uma captação em Balugães registou uma análise não conforme, "tendo sido encerrada de imediato". Desde Agosto, as 24 habitações são abastecidas pelos Bombeiros de Barcelos.
Vila Franca de Xira
A Câmara de Vila Franca de Xira nega responsabilidades numa das 35 análises (2,86%) de 2006. Feita em 25 de Janeiro, foi contrariada por uma contra-análise realizada três dias depois do conhecimento do resultado, em 21 de Março, a qual apontou água de boa qualidade, garante a autarquia, que já pediu esclarecimentos à EPAL (sua fornecedora).
Pombal
Uma captação localizada em Carnide, Pombal, registou, em Abril de 2006, uma análise (1,75%) violando os limites de arsénio (49 contra dez microgramas). Após estudo do sistema e 28 análises e contra-análises, a Câmara encerrou-a em Setembro desse ano.
Liliana Rodrigues, Helena Simão, Nuno Ropio e Lusa
