Enquanto esperam pelo paraíso prometido para a Terra, as testemunhas de Jeová vivem para aquilo que acreditam "agradar a Deus" estudar, difundir e cumprir o que está escrito na Bíblia. Nesta altura do ano, juntam-se em 14 congressos distritais por todo o país. Este fim-de-semana, foi em Guimarães. Mais de quatro mil fiéis reuniram-se para se prepararem para o "livramento" que acreditam estar próximo.
São cerca de 50 mil membros, quase o dobro se se contar com os simpatizantes, conhecidos principalmente por andarem, de porta em porta, de Bíblia e revistas na mão, a evangelizar quem os quer receber. De vez em quando, estala alguma polémica relacionada com transfusões de sangue e as testemunhas de Jeová voltam a ser faladas, mas, em geral, primam por ser discretas.
"Livramento é a libertação da dor, do sofrimento, da poluição, dos crimes, das drogas, de tudo o que é mau", explica José Carmo, um dos responsáveis pela organização do congresso de Guimarães. Paraíso na Terra? As testemunhas de Jeová citam a Bíblia e garantem que sim. Quando é que é uma incógnita, mas, pelos "sinais", acreditam que já não demora. Por isso, há que estar preparado. Para os fiéis desta religião, o caminho é estreito mas muito claro. "O que está escrito é santo. Devemos seguir as escrituras de forma rigorosa. Não há nada a inventar", sublinha João Oliveira, outro dos responsáveis pela reunião das testemunhas de Jeová do Minho.
Para "agradar a Deus", não fumam, não consomem drogas, são moderados com o álcool, não vão à tropa e são modestos a vestir. Não celebram o Natal nem festejam o aniversário, o que nem sempre é socialmente aceite. Vera Inês fala com a certeza dos seus 12 anos "Já tive problemas. Era insultada por causa da religião, mas, agora, os meus colegas compreendem porque eu explico que festejar o aniversário é um costume pagão e que o Natal não é uma festividade bíblica".
Os jovens não frequentam discotecas e abstêm-se de ambientes menos próprios aos seus princípios. Acreditam na castidade, na fidelidade dentro do casamento e recusam as uniões homossexuais. Embora não seja obrigatório, tentam casar dentro da comunidade religiosa porque "é muito melhor estar com alguém que partilha dos mesmos valores", como explica Samuel Ferreira, solteiro de 24 anos.
