s equipas de juniores e juvenis de Torres Vedras, que ontem participavam num torneio de futsal, a contar para os respectivos campeonatos, prestaram homenagem à pequena Inês, a menina de 6 anos que morreu vítima da queda de um espelho na aula de ballet. O acidente, que ocorreu no passado dia 3, deixou consternada a população. Por isso alguns moradores da cidade juntaram-se à homenagem, que comoveu os familiares da criança. Os pais garantem, entretanto, que não pretendem pedir qualquer indemnização pela morte da menina.
Inês era uma espécie de mascote da equipa de juvenis de futsal do Sporting Clube de Torres Vedras. O irmão, de 16 anos, é capitão da equipa e a menina era presença assídua, quer nos treinos, quer nos jogos.
"Sempre que ela estava, protagonizava momentos muito alegres. Corria a apanhar a bola, quando ela saía do campo e, às vezes, por marotice, até a escondia, deixando-nos todos a rir", recorda Jerónimo Mateus, treinador adjunto da equipa, visivelmente comovido com a morte da criança que, assegura, "chocou toda a gente nesta cidade. Mesmo os que não a conheciam".
A homenagem decorreu em dois momentos, ontem à tarde, no pavilhão junto à escola S. Gonçalo. Pelas 16 horas, quando entrou em campo a equipa de juniores, os futebolistas ostentavam t-shirts brancas, com a fotografia de Inês. O capitão saiu do campo e depositou uma t-shirt e um ramo de flores no lugar onde, habitualmente, a menina se sentava, junto aos familiares. Um momento muito aplaudido e que encheu de lágrimas os familiares da criança que ali se encontravam. Os atletas fizeram, então, um minuto de silêncio e só depois deram início ao jogo.
Num segundo momento, cerca das 18 horas, o capitão da equipa de juvenis (irmão da pequena Inês) levou uma coroa de flores e colocou-a no mesmo banco. Foi depois entoada uma canção de homenagem à menina.
António Augusto, pai da criança, não escondia a comoção que o acto lhe causou, admitindo que o facto de sentir que as pessoas à sua volta a amavam daquela forma, inspira algum conforto à família. "Temos sentido um apoio muito grande, de toda a gente neste hora tão difícil".
António Augusto faz parte da direcção da secção de futsal e, por isso, conhecia, desde o início, a intenção do clube de prestar homenagem à sua falecida menina. "Fiquei muito comovido quando me disseram e agora, que presencio o momento, estou ainda mais", afirmou.
Aula trágica
Era sexta-feira e Inês estava na aula de ballet, que decorria nas instalações da Tuna Comercial Torriense. A mãe da menina aguardava pelo final da aula, numa sala ao lado, juntamente com outros pais. Ouviram um estrondo e gritos. Quando correram ao local, a tragédia tinha acontecido.
A música terminara e a professora, Lucilina Sobreiro, correu ao leitor de CD para a pôr a tocar novamente. As meninas, cerca de meia dúzia, que integravam a classe mais nova do ballet ("Os passarinhos") aproveitaram esses poucos minutos para brincar à apanhada. Inês e outra das meninas correram em volta de um espelho (que pesava cerca de 50 quilos), equilibrado num tripé e colocado sensivelmente a meio da sala. Uma delas tocou no espelho, que acabou por cair e atingir a pequena Inês na zona da cervical.
"Foi um trágico acidente", considerou o pai, explicando que o único apoio que a família pretende é "o suficiente para ajudar nas despesas do funeral". E isso, adianta, "já está a ser tratado com seguradora".
Acidente na aula
Inês tinha 6 anos. Segundo os familiares, adorava dançar e, por isso, experimentou as aulas de ballet, na Tuna Comercial Torriense, durante o mês de Dezembro. A professora constatou que tinha potencial e a menina foi aceite como aluna, em Janeiro passado. Tinha aulas às segundas e sextas-feiras. A queda de um espelho roubou-lhe a vida, no dia 3 de Fevereiro.
