Nunca se apresentaram, em Portugal, com esta formação. Mas já conhecem os palcos portugueses à custa do projecto Quarteto Jobim Morelenbaum ou de um último concerto de Dorival Caymmi, na década de 90.
Hoje e amanhã, quando subirem ao palco do Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa, será a primeira vez que o público nacional conhecerá ao vivo o trabalho do Jobim Trio. Para eles "é óptimo regressar a Portugal, até porque há muita afinidade. É um prazer muito grande, é como se estivéssemos a tocar na nossa casa".
Tal como o nome sugere, Paulo Jobim (filho de António Carlos Jobim), Daniel Jobim (neto) e Paulo Braga vão recordar temas do "mestre soberano" da bossa nova, como "Samba de uma nota só", "Água de beber", "Garota de Ipanema", "Corcovado" ou "Só danço o samba".
Segundo contou Daniel Jobim, "a ideia surgiu, há dois anos, em Nova Iorque, quando o Paulo Braga estava lá a morar. Só resolvemos refazer o grupo quando ele voltasse ao Brasil. Quando ele veio, começamos a ensaiar e a fazer uns shows por aqui".
Distinguidos com vários prémios, os três músicos decidiram formar este grupo com o objectivo claro de perpetuar a obra de Tom Jobim. E Daniel afirma "O meu avô um dia disse-me: 'Quando for fazer aquela longa viagem, vocês têm de continuar a tocar a minha música'. É isso que a gente faz. Mantendo o som como ele fazia, para não mudar ou descaracterizar".
Secundados por Paulo Braga, na bateria, Daniel Jobim, ao piano, e Paulo Jobim, no violão, asseguram espectáculos "mais intimistas". Contudo, "sem ser uma coisa sem ritmo". E o pianista explica "Não podíamos tocar todas as músicas do meu avô. Há umas que precisam de coro, outras de uma orquestra maior. E as músicas em que nos sentimos mais à vontade para tocar, com um grupo pequeno como o nosso, não são assim tantas. Decidimos, por isso, seguir um pouco do repertório dele dos concertos".
Música e genética
Paulo e Daniel Jobim são herdeiros de facto e a genética permite que sigam o caminho musical criado pelo pai e avô Tom Jobim. Todavia, o neto encara o seu percurso com alguma naturalidade "Desde pequeno que escuto as músicas do meu avô. Houve uma época, em que estava a aprender a tocar piano e só tocava as músicas dele. Aí, houve um momento em que ele me disse: 'Olha, existem outros compositores'. E comprou-me um livro de Chopin. Mas o que eu gostava era de tocar as músicas dele. É natural, de quem sempre o escutou. Ouvia os ensaios dele, os seus espectáculos e isso vai ficar sempre na minha memória".
Do avô, "que gostava de ir para a fazenda, falar sobre a floresta e sobre os bichos que conhecia", Daniel reconhece que Tom Jobim "foi um grande mestre."
E conclui "Acho que era dessa forma que ele gostava de ser recordado".
O Jobim Trio actua ainda depois de amanhã no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães e na sexta-feira em Montemor-o-Novo.
