frase, em jeito de brincadeira, encerra o sentimento de quem mora em Vermoim, na Maia. "Ninguém pode tocar-lhe. Quem a estragar leva um arraial de porrada", diz, num sorriso, Maria José Sá, 60 anos, sem esconder o orgulho no "símbolo" da freguesia, plantado no largo fronteiro à igreja paroquial um freixo com vários séculos de vida. Aloíso Nogueira, presidente da Junta, recorda estudos da Faculdade de Ciências do Porto que lhe dão mais de 600 anos. Mas há documentos que, segundo o Diagnóstico Social da Maia, permitem atribuir mais de oito séculos de vida ao freixo.
"A árvore terá sido plantada pelos monges do mosteiro de Vermoim, fundado no século X e ligado ao mosteiro de Leça do Balio [monumento milenar ainda em perfeitas condições, naquela freguesia do concelho de Matosinhos]. É a única lembrança que os monges nos deixaram, já que do mosteiro não há vestígios", explica Aloísio Nogueira. A Junta, com a colaboração da Câmara, está a desenvolver o processo para classificar a árvore como património. No brasão da freguesia, que também tem uma forte tradição ligada aos tamanqueiros, o freixo já é a figura central.
Paulo Moura, técnico de arboricultura, alerta para a necessidade de uma intervenção, ou o freixo não resistirá muito mais tempo. Uma hipótese - desaparecimento da árvore - de que a população nem deve querer ouvir falar, tal é o cuidado com que zela pelo símbolo da freguesia.
"Nem nas festas as pessoas permitem que seja lá pendurado o que quer que seja", observa António Alberto, que não é de Vermoim, mas trabalha na localidade e já aprendeu a gostar da árvore.
"Devem mantê-la, mas é preciso que cuidem dela", alertam Maria Emília e José Coelho, lembrando uma "praga de lagartos" com origem no freixo. O casal mora há 29 anos numa casa em frente à árvore, cujos ramos já chegaram a cobrir grande parte do largo "Já teve os ramos mais amplos . Quase que nem se conseguia passar por aqui". "Desde que me conheço que estou habituada a vê-la ali", diz Maria José, nascida e criada na freguesia.
"Com a obra de requalificação desta zona, pensamos que as raízesiam ser afectadas. Mas parece que ainda ganharam mais força", conclui Aloísio Nogueira.
Necessita de intervenção
Plantada no largo defronte da igreja de Vermoim, o freixo apresenta as mazelas de uma longuíssima vida. Como medidas de protecção, já tem cabos de aço em alguns ramos e parte do tronco (com mais de três metros de diâmetro) está amparada por uma estrutura de ferro. Paulo Moura, técnico de arboricultura, assinala que o freixo precisa de uma intervenção a curto prazo, sob pena de não aguentar muito mais tempo e colocar em risco as habitações na envolvente. "Está praticamente oca, tem muitas cavidades e fungos a alimentar-se de matéria morta", observou, lembrando que a árvore tem "uma parte superior desproporcional [maior] em relação à base". Quanto à idade, Paulo Moura confirma que o freixo, dada a sua estrutura, deve ter mesmo muitos séculos de vida.
