"O tesouro" chega a Portugal depois de três semanas a liderar o top americano John Turteltaub explica o sucesso
Há três semanas em primeiro lugar nas bilheteiras americanas, "O tesouro" estreia hoje entre nós, levantando expectativa quanto à liderança dos 'blockbusters' de Natal. Estamos perante um regresso em força do cinema de aventuras? O realizador, John Turteltaub, explicou-nos quais as razões do sucesso.
[Jornal de Notícias] O filme apela ao gosto das pessoas pela História. Parece-lhe que é uma tendência a seguir?
[John Turteltaub] Os especialistas que viram o filme ficaram surpreendidos com todos os pormenores que nós descobrimos. Mas também queremos que as pessoas que não sabem nada de História se divirtam, passem um bom bocado e percebam o que se está a passar. E a quantidade de pormenores históricos que tivemos de deixar de fora é enorme...
Acha que na Europa, com toda a História que nós temos, o filme ainda vai ter mais sucesso?
A ideia é que as pessoas gostem de História, não da forma como a aprendemos na escola, mas pelo seu lado de aventura. Os europeus têm uma noção muito forte da sua História, mas não tenho a certeza se sabem muito bem o que foi o período colonial da história americana. Por exemplo, eu gostei muito de "Os Salteadores da Arca Perdida" e não sou egípcio...
Há alguma coisa de verdade na história ou é tudo ficção?
Bom, é possível roubar a Declaração da Independência. Da maneira que nós o fizemos , agora já não é! O mais difícil de acreditar é que uma rapariga tão bonita como a Diane Kruger tenha um emprego daqueles. Mas o resto da história é bastante autêntico.
Ainda há muitos mações livres nos Estados Unidos?
Há bastantes irmandades e sociedades secretas como as que se referem no filme, mas o principal objectivo é justificar que os homens saiam de casa à noite... Mas não conheço ninguém em Hollywood que faça parte dessas sociedades.
Como se processou a relação com um produtor tão exigente como Jerry Bruckheimer?
Ele nunca parava de dizer que era preciso fazer ainda melhor. Eu até pensava o contrário, que como ele faz essencialmente filmes de acção não se iria preocupar muito com a lógica do filme. Mas o projecto só ganhou mesmo vida quando o Nicolas Cage entrou no barco.
Como se processou a definição da personagem central?
Tinha de ser um homem honesto. Tinha de fazer tudo pelas razões certas - também é por isso que estamos a ter tanto sucesso. O público aprecia a velha noção do bom e do mau da fita. Num drama, ajuda haver personagens ambíguas. Mas num filme de acção e aventura queremos que os bons sejam bons e que os maus sejam mesmo muito maus.
É verdade que foi colega de liceu do Nicolas Cage?
Nós já éramos amigos, nessa altura, mas muito diferentes. Ele era mais sombrio e introvertido - era o artista; eu era o que divertia o pessoal, a saltar nas carteiras. Ele ficava sempre a um canto e detestava o que eu fazia. A carreira dele diz muito sobre isso. Ele sempre procurou os papéis mais difíceis. As escolhas dele foram sempre artísticas, enquanto a minha preocupação é entreter pessoas. Mas, acho, nenhuma delas é a certa ou a errada.
em busca do tesouro perdido
Enquanto todos esperam pela chegada do 4.º Indiana Jones e antecipando o que pode vir a ser "O código Da Vinci", "O tesouro" é o filme do momento nos EUA. O mérito do filme, além da inegável capacidade de entreter mantendo um apreciável grau de exigência, é fazê-lo através de um guião que dá primazia à História da América. Tudo se centra em torno de uma personagem que zela por um tesouro escondido pelos fundadores da nacionalidade, há 200 anos. Mas como agora o seu maior adversário está na pista do tesouro, que se supõe ter pertencido aos Templários, a única solução é roubar a Declaração da Independência, em cujo verso se encontra, de forma críptica, o mapa do tesouro. Filme de acção e aventura, na linha das mais extraordinárias caças ao tesouro, mas em contexto contemporâneo, onde não falta uma crítica velada ao cepticismo dos cidadãos em relação às instituições, "O tesouro" tem ainda humor, romance e suspense. É cozinhado para entreter - e entretém. JA
