Filme

Daniel Faria: a urgência da poesia agora em documentário

Daniel Faria: a urgência da poesia agora em documentário

Em 2021 celebram-se os 50 anos do nascimento do poeta Daniel Faria. Para assinalar a efeméride, a Casa da Cultura de Paredes recebe este sábado a estreia do filme "Daniel Faria - O silêncio e a palavra", de Marlene Maia.

Daniel Faria nasceu em Baltar, Paredes, a 10 de abril de 1971. Aos 12 anos ingressou num seminário. Frequentou o curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa do Porto, terminando a licenciatura em 1996. No seminário e na Faculdade de Teologia, alimentado pelos professores, criou gosto pela poesia, onde se destacava, e pelas linguagens da arte contemporânea. Mais tarde licenciou-se em Estudos Portugueses, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Durante vários anos esteve ligado à paróquia de Santa Marinha de Fornos, Marco de Canaveses, onde encenou, com parcos recursos, "As artimanhas de Scapan" e o "Auto da barca do inferno", demonstrando ser um grande amante do cinema. Apesar de ter tido o seu primeiro livro, "Uma cidade com muralha", publicado em 1990, a sua opção monástica levou-o a ser primeiramente conhecido num circuito restrito.

O poeta faleceu a 9 de junho de 1999 quando estava a concluir o noviciado no Mosteiro Beneditino de Singeverga, em Santo Tirso. O episódio da sua morte sempre esteve envolto em misticismo, especialmente por parte dos leitores que se sentiram desamparados com o desaparecimento súbito aos 27 anos. A sua poesia sempre foi motivo de assombro causado por livros como "Explicação das árvores e outros animais" e "Homens que são como lugares mal situados".

Esse assombro era algo que inquietava a realizadora Marlene Maia, que num reencontro casuístico com a obra poética de Daniel Faria, em 2020, decide encetar uma investigação. Ao dar-se conta da efeméride dos 50 anos, monta um projeto e decide apresentá-lo à Câmara Municipal de Paredes. "Logo no primeiro encontro, eu e a vereadora da Cultura de Paredes percebemos que estávamos em sintonia". "Daniel Faria - O silêncio e a palavra" é o 15.º trabalho da realizadora. Conseguiu agregar a autarquia como promotora, e teve produção da Dalmática e coprodução da 7AM.

Para o filme documental entrevistou 16 pessoas. "A maioria privou diretamente com ele, mas também há entrevistados, como o escritor Valter Hugo Mãe, que não tendo conhecido Faria pessoalmente, foi essencial na divulgação da sua obra literária e fala com uma paixão surpreendente", conta a realizadora. Cada entrevistado deu o testemunho no local que para si era o mais relacionado com o poeta. Uma das passagens que Marlene Maia considera impactante foi filmada no Vaticano e em Roma, com D. Carlos Azevedo. Entre os entrevistados estão também os amigos do seminário e do Mosteiro de Singeverga.

"Há depoimentos que são de arrancar as vísceras", explica a realizadora. Um destes é o da mãe do poeta, "a mais transparente e genuína de todos os entrevistados. Tem uma presença contínua ao longo do documentário". Apesar de a poesia ser o chamamento para este documentário, Marlene Maia considera que ele é essencialmente "biográfico".

PUB

Um dos grandes desafios que encontrou foi o nome para este trabalho, mas ao reler o poema "A arte poética" tornou-se óbvio que só poderia ser "O silêncio e a palavra". "Estou muito expectante com a reação do público e espero fazer jus à figura de Daniel Faria", afirma Marlene Maia.

Um resultado a conferir sábado em Paredes, às 21 horas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG