Da Ucrânia para os EUA

A promissora carreira de Halyna Hutchins que terminou com um tiro de Alec Baldwin

A promissora carreira de Halyna Hutchins que terminou com um tiro de Alec Baldwin

Halyna Hutchins, a diretora de fotografia morta a tiro pelo ator Alec Baldwin, durante a rodagem do filme "Rust" nos EUA, estava a dar os primeiros passos naquela que muitos acreditavam vir a ser uma carreira promissora. Ucraniana e formada em jornalismo, Halyna mudou-se para Los Angeles em 2013 para estudar cinema e foi considerada uma estrela em ascensão pela associação "American Society of Cinematographers", em 2019.

Halyna, de 42 anos, morreu a fazer o que mais gostava. A diretora de fotografia estava no "set" a rodar o filme "Rust" quando foi atingida, acidentalmente, por disparos de uma arma de adereço que não devia estar carregada.

Nasceu na Ucrânia, em 1979, e foi criada numa base militar russa no Ártico "rodeada de renas e submarinos nucleares", de acordo com a biografia do seu website. A sua primeira paixão foi o jornalismo e por isso licenciou-se na área na Universidade Kiev, na Ucrânia. Começou por trabalhar como jornalista de investigação em produções documentais britânicas e foi assim que descobriu a paixão pela sétima arte.

"A minha transição do jornalismo começou quando estava a trabalhar em produções cinematográficas britânicas no Leste da Europa e pude viajar para locais remotos e perceber como um cineasta trabalhava. Fiquei fascinada com a possibilidade de narrar histórias baseadas em personagens reais", revelou numa entrevista à revista "American Cinematographer" em 2019.

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Atrás do sonho, Halyna mudou-se para Los Angeles, nos Estados Unidos, e licenciou-se no conservatório do "American Film Institute", entre 2013 e 2015. Começou a trabalhar em Hollywood, dirigiu uma curta-metragem, "Coco Noir", fez alguns trabalhos comerciais e colecionou ainda uma série de participações noutros filmes como "The Mad Hatter" (2021), "Archenemy" (2020), "Blindfire" (2020) e "Darlin" (2019), por exemplo.

Em 2019 foi considerada uma estrela em ascensão do cinema pela associação "American Society of Cinematographers".

Morte trágica abala redes sociais

O acidente, que ocorreu durante a tarde (hora local) de quinta-feira, no rancho de Bonanza Creek, no Estado do Novo México, nos EUA, está a gerar uma onda de homenagens à cineasta nas redes sociais.

O realizador Adam Egypt Mortimer, que trabalhou com Halyna no filme "Archenemy", foi dos primeiros a homenagear a artista. "Estou tão triste por ter perdido a Halyna e tão enfurecido que isto possa acontecer num "set", começou por escrever numa publicação no Twitter. "Ela era um talento brilhante que estava completamente empenhada na arte e no cinema".

À "BBC", o realizador confessou que "o protocolo e o nível de segurança que há em qualquer produção, independentemente da sua dimensão, quando se começa a manusear armas, é tão alto que o facto de uma arma ter disparado e morto Halyna é chocante do ponto de vista da indústria e ao mesmo tempo trágico do ponto de vista de conhecer a artista". Para Mortimer, "foi simplesmente maravilhoso poder colaborar com alguém assim", rematou.

Já o diretor James Cullen Bressack revelou estar devastado com a notícia. "Estou em choque. Não sei como processar isto. Lamento muito pela #HalynaHutchins", publicou no Twitter.

O "American Film Institute" também prestou uma homenagem à artista no Twitter. "Só as palavras não podem captar a perda de alguém tão querido para a comunidade AFI".

A colega cineasta Elle Schneider também dedicou no Twitter uma mensagem à amiga. "As mulheres cineastas têm sido historicamente afastadas do género cinematográfico, e parece especialmente cruel que uma das estrelas em ascensão (...) tenha morrido no tipo de projeto pelo qual temos lutado".

De acordo com os investigadores, que se deslocaram ao local, o incidente parece ter sido causado pela utilização, como adereço, de uma arma de fogo, disparada durante uma cena do filme. "Os investigadores estão a averiguar que tipo de bala foi disparada e como", segundo um comunicado do gabinete do xerife de Santa Fé.

O realizador do filme, Joel Souza, de 48 anos, também ficou ferido no incidente e está na Unidade de Cuidados Intensivos do hospital Christus St. Vincent, no Estado do Novo México, sudoeste dos Estados Unidos.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia também já garantiu que o seu consulado em São Francisco estava a tentar esclarecer as circunstâncias da morte de Halyna Hutchins e a trabalhar com as forças da lei dos EUA.

Esta não é a primeira vez que um acidente num "set" acontece. Em 1993, Brandon Lee, de 28 anos, filho do Bruce Lee, morreu após ter sido atingido por uma bala enquanto filmava uma cena de morte para o filme "The Crow". A arma deveria ter disparado pólvora seca, mas uma autópsia revelou uma bala alojada perto da coluna vertebral.

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