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Afrobeat em cinco episódios

Afrobeat em cinco episódios

Luís Oliveira, da Antena 3, regressou à década de 70 do século passado para ressuscitar Fela Kuti.

Em abril, quando morreu Tony Allen (1940-2020), considerado um dos maiores bateristas da história da música, Luís Oliveira, da Antena 3, quis regressar à década de 70 do século passado e às raízes do Afrobeat enquanto movimento musical e propulsor político e social.

O resultado é "Fela Pod", um podcast invulgar no vasto mercado nacional de podcasts, que é uma autêntica aula sobre a extraordinária vida, obra e legado do mítico e místico músico Fela Kuti (1938-1997).

Mais do que uma biografia sobre o nigeriano que criou o Afrobeat, Fela Pod é a história daquele estilo musical, das suas repercussões políticas e da inspiração que contamina movimentos libertários até hoje.

"O que me interessa é contar histórias de artistas que eu ache muito relevantes musicalmente, mas que para além disso tenham uma história de vida que considero rica", justifica Luís Oliveira, ao JN.

Ao longo de uma hora dividida em cinco episódios, o radialista conta como Fela Kuti se embebeu no jazz londrino e, depois em Los Angeles, no funk ativista de James Brown, para finalmente criar o Afrobeat quando regressa a uma Nigéria mergulhada numa guerra-civil após a libertação do jugo colonialista inglês.

A receita musical do Afrobeat é desmontada instrumento a instrumento, estilo a estilo, com marcadas influências do swing do jazz, da polirritmia do yaruba, do funk que musicava o movimento libertário dos Panteras Negras da América, das guitarras liderantes e dos trompetes apelativos do highlife vindo do Gana.

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Mas mais do que um som com várias latitudes dentro, este era um movimento pejado de um ativismo político que se confunde com a biografia de Fela Kuti. Ele, que com Tony Allen (o "beat" do Afrobeat) criou um estilo único no Mundo, era uma espécie de líder espiritual e político de um espectro revolucionário e combativo, personificador de um majestoso sentimento africano que ainda hoje inspira movimentos como o Black Lives Matter.

Fela é biografado por Luís Oliveira nas suas virtudes e defeitos. O radialista não esconde que Fela encarava as mulheres como objetos de satisfação pessoal (chegou a casar com 27 de uma só vez). "Não é um exercício de santificação", adverte Luís, que admite ter ficado tocado com o heroísmo quase inconsciente de Fela - "alguém que põe a sua vida em risco porque acredita em alguma coisa". Como Thomas Jefferson, também Fela parecia preferir "a liberdade perigosa à escravidão pacífica".

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