Banda desenhada

BD despede-se do veterano Gérald Forton

BD despede-se do veterano Gérald Forton

Natural de Bruxelas, onde nasceu a 10 de abril de 1931, Gérald Forton faleceu sábado 18 aos 90 anos em Apple Valley, na Califórnia. Foi um dos mais versáteis argumentistas e desenhadores de BD, sendo um dos últimos resistentes da sua geração.

Neto de Louis Forton (1879-1934), criador dos "Pied nickelés" e um dos pioneiros da banda desenhada francesa, Gérald estudou nas Belas Artes de Paris antes de começar a trabalhar profissionalmente, em 1950, com algumas histórias completas na revista "Caméra 34".

Numa carreira longa e diversificada, destacam-se a estreia na "Spirou", em 1952, e a passagem por títulos como "Risque-Tout" (1955), "Vaillant" (1959) e "Femmes d"Aujoud"hui" (1962, onde retoma a adaptação gráfica de "Bob Morane", possivelmente a sua criação mais destacada).

No seu longo currículo, há ainda uma nota para a colaboração com Edgar P. Jacobs, criador de Blake e Mortimer, para quem desenhou as primeiras 18 pranchas de "O caso do colar" (1966), que aquele acabaria por retocar antes da publicação na revista "Tintin", devido às diferenças de estilo.

A partir de 1977 surge na "Télé-Júnior" onde, de certa forma antecipando a sua partida para os Estados Unidos, desenha super-heróis como Homem-Aranha, Thor e Hulk, além de versões aos quadradinhos de séries de TV como "Thierry la Fronde" e "Battlestar Galactica". São deste período também os três álbuns que assinou na coleção "L"Histoire de France en bandes dessinées".

Na sua aventura americana, que tem início nos primeiros anos da década de 1980, irá trabalhar para a Marvel, nas revistas "Jonah Hex" e "The Fantastic Four" e nas pranchas dominicais de "He-Man and the Masters of the Universe", estas últimas com argumento de Stan Lee. Durante esse período inicia-se também na animação e na produção de storyboards para o cinema, participando nas adaptações de "Príncipe Valente" ou "Conan, o bárbaro" e em diversas produções dos estúdios Hanna Barbera, Dreamworks, MGM e Warner Bros, como "Inspector Gadget" e "Waterworld".

PUB

Na década de 1990 regressa a Bob Morane, adaptando os primeiros romances do aventureiro escritos por Henri Vernes (1918-2021), encontrando igualmente tempo para se dedicar à ilustração e à pintura.

Muitas das suas criações foram editadas em Portugal, cabendo a honra de o ter estreado o "Cavaleiro Andante" n.º 210, de 7 de janeiro de 1956, com "O inferno verde", uma aventura de Kim Devil.

Outras séries, como as de Alain Cardin, Criss Golden e Teddy Ted, ou "As mais belas histórias do tio Paulo", foram igualmente editadas entre nós em títulos como "Zorro", "Flecha 2000", "Jacto", "Mundo de Aventuras", "Spirou", "Nau Catrineta" e "Tintin". Entre todos, o maior destaque vai para Bob Morane, estreado pela editora Íbis em 1970, nos álbuns "A espada do paladino" e "O segredo dos sete templos".

Numa carreira em que colocou um estilo realista e dinâmico ao serviço da aventura e da BD popular, graças à qualidade e rapidez do seu trabalho, Forton abordou os mais variados géneros, da aventura à ficção científica, passando pela História e pelo western.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG