Banda desenhada

BD perde Jorge Machado-Dias e Juan Giménez

BD perde Jorge Machado-Dias e Juan Giménez

O autor e editor português Jorge Machado-Dias e o desenhador argentino Juan Giménez faleceram, esta quinta-feira.

Jorge Machado-Dias, que faleceu de cancro, aos 67 anos, nasceu em Lisboa, em 1953, e frequentou o Curso de Formação Artística da Sociedade Nacional de Belas Artes. Depois, o Curso de Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes, tendo adoptado o design gráfico como profissão: Produziu capas e paginado publicações para diversas editoras.

A sua chegada ativa à banda desenhada deu-se em 1995, quando escreveu os argumentos dos dois primeiros álbuns de "As Aventuras de Paio Peres", desenhados por Victor Borges, onde uniu duas das suas paixões: a BD e a História. Foi ele próprio que os publicou na editora pedranocharco, que criou para o efeito, tendo esse selo editorial servido igualmente para apresentar aos leitores portugueses uma série de jovens desenhadores nacionais, entre eles José Carlos Fernandes, Eliseu Gouveia ou Filipe Andrade (atual desenhador da Marvel), tendo mais tarde publicado também Fernando Relvas.

Uma década depois lançou um projeto inovador no nosso país, o "BDJornal", uma publicação de análise e crítica de BD, de distribuição nacional em quiosques, primeiro no formato jornal, depois mais próximo do conceito de revista, que manteve até 2013.

Um ano mais tarde, lançava-se na escrita de "Últimos no Leste de Angola - Na retirada do Exército Português em 1975", lançado pela Chiado Books em 2017, livro em que evoca o serviço militar que cumpriu entre 23 de Abril de 1974 e Outubro de 1975, durante o período conturbado que aquele país viveu após a Revolução dos Cravos.

Ontem, outro nome da BD morreu também: o desenhador Juan Giménez, vítima de Covid-19.

Nascido a 16 de Novembro de 1943, estava na sua cidade natal, Mendoza, na Argentina, para onde tinha regressado depois de contrair o vírus em Espanha, onde residia há anos.

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Com formação de base no seu país natal em mecânica de precisão e desenho industrial, que viria a reflectir-se no seu estilo, Juan Giménez frequentou a Academia de Belas Artes de Barcelona, e no regresso à Argentina, começou a fazer banda desenhada, dedicando-se também à publicidade e à animação.

No início da década de 1980 regressou definitivamente a Espanha, publicando histórias curtas em títulos como "Zona 84" e "Comix Internacional", a solo ou a partir de argumentos de Carlos Trillo e Ricardo Barreiro, algumas delas publicadas no nosso país no "Mosquito" (5.ª série) ou nas "Selecções BD".

O seu estilo hiper-realista e a capacidade de dar vida a engenhos futuristas, fizeram dele um dos mais conceituados desenhadores de ficção-científica, com talento bem visível em alguns dos seus títulos mais representativos, igualmente editados em português, como "O quarto poder", "Leo Roa" e, principalmente, "A Casta dos Metabarões", com argumento de Alejandro Jodorowsky.

A ilustração de capas de livros e discos e a concepção gráfica de videojogos foram outras áreas em que Juan Giménez aplicou a sua arte.

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