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Clássico "Maria do Mar" exibido hoje na Maratona de Filmes Clássicos de Budapeste

Clássico "Maria do Mar" exibido hoje na Maratona de Filmes Clássicos de Budapeste

A cópia restaurada do filme de 1930 de Leitão de Barros, "Maria do Mar", foi selecionada para a quarta edição da Maratona de Filmes Clássicos de Budapeste, organizada pelo National Film Institute da Hungria e que decorre em várias salas da capital de 21 a 26 . "Maria do Mar" será exibido, hoje, no Cinema Toldi. O trabalho de restauro esteve a cargo da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema.

"Maria do Mar" é um notável trabalho de integração da paisagem marítima e da vida dos pescadores da Nazaré numa ficção construída à volta do ódio entre duas famílias por causa da morte de um pescador, provocada acidentalmente por outro. Serão os filhos que, com o seu amor, irão reconciliar as famílias. Um belíssimo filme, com imagens surpreendentes e um trabalho de montagem marcante no cinema português.

A versão, restaurada pela Cinemateca Portuguesa em 2000, teve origem na digitalização 4K do negativo de câmara original do filme. Alguns planos degradados ou inexistentes no negativo, assim como todos os intertítulos, foram digitalizados a partir do interpositivo produzido no restauro de 2000. O restauro digital de imagem e a correção de cor foram feitas pela Cineric Portugal. O restauro foi finalizado pela Irmã Lúcia Efeitos Especiais.

Em 1999, por ocasião do restauro do filme de Leitão de Barros, a Cinemateca Portuguesa encomendou a Bernardo Sassetti uma partitura com música original, orquestrada por Vasco Pearce de Azevedo, Bernardo Sassetti e Luís Tinoco. Em 2010, Sassetti (piano), Filipa Pais (voz) e a Orquestra Sinfonietta de Lisboa interpretaram a presente gravação, sob a direção de Pearce de Azevedo, com produção musical de José Pedro Gil, que foi sincronizada com a banda de imagem apenas este ano.

Leitão de Barros descobriu a Nazaré em 1926, quando aí passou férias com o seu cunhado, o pintor Martins Barata, e com o futuro realizador António Lopes Ribeiro. Lopes Ribeiro mostrou-lhe imagens de um filme em 9,5mm que estava a rodar na localidade e essas imagens terão bastado para convencer Leitão de Barros a voltar ao cinema, que tinha abandonado em 1918, após a mal sucedida experiência da Lusitânia Filmes.

Entre 1918 e 1926 dedicou-se sobretudo à pintura (a sua obra como aguarelista é significativa e muito marcada por Roque Gameiro, que foi também seu sogro) e ao teatro. Este encontro terá dado a Leitão Barros a ideia de se consagrar quase completamente ao cinema. Como terá dito em 1945 ao historiador e crítico espanhol Carlos Fernandes Cuenca: "Um dia, em 1927, suicidei-me como pintor e deixei os quadros para entrar no cinema".

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