Crise

Cultura pára pelo menos duas semanas

Cultura pára pelo menos duas semanas

Equipamentos culturais fecham à meia-noite de hoje. Medidas de apoio vão ser anunciadas.

A pergunta foi lançada em novembro passado, durante um protesto em que se reclamava a continuidade das atividades culturais e se garantia que "a Cultura é segura" - "Quem assume a decisão de acabar com a Cultura?", questionava a Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE).

O primeiro-ministro António Costa deu ontem a resposta na conferência de Imprensa em que, "sem rebuço nem vergonha", anunciou que "vamos voltar a confinar como em abril". O chefe de Governo reconheceu que o setor da Cultura "tem-se queixado e com razão, porque é naturalmente atingido" pelo confinamento, mas a decisão está tomada: todos os equipamentos culturais vão fechar pelo menos durante duas semanas, previsivelmente por um mês, a partir da meia-noite de hoje.

Para mitigar os efeitos da paralisação, "todas as atividades encerradas terão acesso ao lay-off simplificado" e o Programa Apoiar vai ser alargado. As medidas para o setor serão hoje anunciadas pela ministra da Cultura e pelo ministro da Economia.

Contra esta decisão, que é idêntica em vários países, uniram-se duas dezenas de diretores de teatros de toda a Europa, incluindo Nuno Cardoso, do Teatro Nacional São João, no Porto, e Tiago Rodrigues, do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Estes responsáveis artísticos enviaram ontem uma carta ao Parlamento Europeu, intitulada "A Cultura é segura", pedindo às autoridades que permitam a abertura das salas apesar da pandemia, e comprometendo-se a "garantir" os protocolos de segurança.

"Agravar a tragédia"

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O encerramento de equipamentos culturais - desde junho limitados a lotações de 50% - "é o agravar de uma tragédia", reagiu o promotor Álvaro Covões, da APEFE, que esteve reunida ontem à noite para discutir as medidas. Recorde-se que desde que foi anunciada a pandemia, em março de 2020, foram cancelados, suspensos ou adiados cerca de 27 mil espetáculos.

Também o presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), João Neto, considerou "um contrassenso" a decisão do Governo de fechar museus e monumentos e manter as escolas abertas. "O número de pessoas que vai continuar a circular nos vários níveis de ensino é muito superior ao dos visitantes dos museus e monumentos", argumentou, também ele sublinhando que os museus são espaços seguros.

O tema da precariedade a que a pandemia vota a Cultura não escapou, ontem de manhã, ao debate parlamentar. "Não se pode fechar os olhos aos cineteatros, aos cinemas, às escolas de dança e companhias de teatro, que continuam a encerrar portas por não terem soluções de tesouraria", afirmou Inês Sousa Real do Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN). "Não nos podemos esquecer que por trás estão milhares de pessoas, técnicos de som, de luz, de montagem e outros que, desde março, estão a passar por dificuldades económicas tremendas". A deputada não inscrita Joacine Katar Moreira também insistiu na necessidade de dar "apoio aos trabalhadores da Cultura e aos trabalhadores independentes".

O setor cultural tem um protesto marcado para dia 30, contra o que diz ser a falta de respostas do Governo perante "as consequências devastadoras da pandemia".

PROGRAMA

O que ver nas 24 horas antesdo confinamento

Nas últimas 24 horas antes de começar o confinamento ainda é possível ir ao cinema, ao teatro e à dança. O Teatro Carlos Alberto, no Porto, mantém hoje, às 19 horas, a apresentação de "As três irmãs", um texto de Tchékhov com encenação de Carlos Pimenta. O Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, estreia hoje, também às 19 horas, "Carta", a nova coreografia de Mónica Calle. No Cinema Trindade, no Porto, é possível assistir a sete filmes, com sessões a começar entre as 14.15 e as 20.50 horas. No Cinema Ideal, em Lisboa, ainda há quatro filmes de Hong Sang-soo para ver, entre as 14.15 e as 21.15 horas.

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