Escritaria

De Penafiel a Cabo Verde é apenas um pulo

De Penafiel a Cabo Verde é apenas um pulo

Numa das edições mais afetivas do seu historial, o Escritaria homenageou Germano Almeida durante uma semana. Por entre elogios ao poder das livros e, acima de tudo, das histórias, ficou também a garantia de que a internacionalização do festival literário pode avançar muito em breve, com Cabo Verde a figurar como forte possibilidade.

Tão desejada em Cabo Verde, a chuva foi uma aparição frequente nos últimos dias em Penafiel. Para grande satisfação de Germano Almeida, o autor homenageado na 14ª edição do Escritaria, que terminou este domingo em Penafiel. "Para nós, é sempre sinónimo de felicidade", explicou o "contador de histórias", como prefere definir-se, numa das suas múltiplas intervenções durante a semana,

Apesar do programa carregado, dada a multiplicidade de lançamentos, exposições, inaugurações e até aulas de funaná,, o homenageado manteve sempre a bonomia. Foi o que aconteceu nas já emblemáticas Conversas na Eira em que conversou durante hora e meia com o jornalista Fernando Alves num tom descontraído.

Questionado sobre a ausência à sua própria pessoa no romance "O fiel defunto" quando são desfiados grandes nomes da literatura caboverdiana de todos os tempos, como Jorge Barbosa ou Manuel Lopes, respondeu de forma impagável: "Devo ter-me esquecido".

No dia anterior, num debate sobre o papel cultural da lusofonia, passou em revista a sua relação de amor com a língua que remonta à infância. "O meu pai tinha poucas habilitações literárias mas só falava português. Essas duas línguas, o português e o crioulo, andaram sempre comigo em franca e agradável convivência", relembrou.

Também presente na conversa, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abrãao Vicente, relembrou o muito que há ainda por fazer nesse domíno, citando a propósito as dificuldades que os artistas têm na circulação entre os países do espaço lusófono.

A representação ministerial de Cabo Verde não escapou ao presidente da Câmara de Penafiel, que afirmou publicamente a sua "estranheza" pelo facto de, ao longo destes 14 anos, nunca um ministro da Cultura portuguesa ter marcado presença no Escritaria.

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Antonino Sousa revelou que o convite à ministra Graça Fonseca "não mereceu sequer comentário". "Isso deixa-nos tristes, porque não é apenas uma desfeita para o município ou para o presidente da câmara, é para todos os que se envolvem na organização deste festival literário, para o homenageado, para o próprio homólogo cabo-verdiano e para todos aqueles que, ao longo destas 14 edições, construíram o Escritaria. Portanto, merecíamos uma outra consideração", afirmou o autarca.

A dimensão política esteve também muito presente no certame deste ano devido ao convite feito por Abrãao Vicente para que uma extensão do festival penafidelense possa ter lugar no futuro numa localidade de Cabo Verde a definir. "Fizemos o desafio ao senhor presidente para termos uma câmara geminada com Penafiel e fazermos uma edição do Escritaria em Cabo Verde, ou seja, promover a internacionalização do próprio conceito do Escritaria, a começar pelo Germano Almeida", afirmou o ministro.

Ao "desafio" lançado, o presidente da Câmara de Penafiel respondeu "com entusiasmo", afirmando ser um cenário "muito interessante".

"O festival pode dar um contributo para a aproximação das comunidades que têm em comum a língua portuguesa. Há uma oportunidade imensa de criar maior proximidade entre os escritores, entre os leitores", afirmou o edil, acrescentando que o festival "pode ganhar uma nova escala, não apenas mostrando o seu espólio nos países dos escritores homenageados, como Mia Couto ou Pepetela, mas, porque não, levar este espólio a Brasília ou a S. Paulo, no Brasil?"

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