Literatura

"É muito mais difícil erguer um poema do que uma ponte"

"É muito mais difícil erguer um poema do que uma ponte"

O poeta chileno Raúl Zurita, 70 anos, recebeu esta quinta-feira o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana, no valor de 42.100 euros.

Raúl Zurita (Santiago do Chile) escreveu poemas no céu, com a esteira dos aviões sobre Nova Iorque. Escreveu poemas no deserto do Atacama, nos quais desenhou a frase "nem dor nem medo", em referência à ditadura de Pinochet. Claro que escreveu muitos poemas em papel, muitos livros de uma escrita chamada telúrica, que também poderia ser chamada de magmática ou torrencial.

Começa assim a reportagem do diário espanhol "El Pais", sobre o dia desta semana em que o poeta fez questão de deslocar-se propositadamente a Madrid para receber o mais importante prémio espanhol de literatura.

Soube-se em setembro que Zurita se transformara no terceiro poeta chileno da história galardoado com este prémio (depois de Gonzalo Rojas, em 1992; Nicanor Parra, em 2001), mas não se imaginava que com a sua frágil saúde estaria presente. "Tinha de estar. Nos dias de hoje, é um ato de coragem", afimou.

Para o engenheiro que encontrou ligações entre a matemática, a ciência e a poesia, a poesia é mesmo uma ciência. "Se cair uma ponte, muitas pessoas podem morrer. Se cair um poema, nada acontece. Mas é muito mais difícil construir um poema do que uma ponte."

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