Entrevista

"Filme vai dar-me um empurrão"

"Filme vai dar-me um empurrão"

A actriz Rita Martins enche o filme, apesar de contracenar com alguma da nata dos actores portugueses, como Margarida Marinho, João Lagarto e Filipe Duarte. "4 copas", de Manuel Mozos, estreia hoje e vai dar ao cinema português um novo rosto.

Diana, vestida por Rita Martins, é uma jovem de 21 anos, com vida sentimental atribulada, que vive com o pai e a madrasta. Quando descobre que esta tem um caso com o segurança do centro comercial onde ambas trabalham, imagina um plano para o pai não ter de voltar a passar pelo mesmo.

Teve de se afastar muito de si para entrar na pele da Diana?

Mais ou menos. Acabamos sempre por dar um bocadinho de nós em todos os papéis. E a Diana tem uma idade semelhante à minha. Tinha 21 anos, como ela, quando fiz o filme. Por isso, a experiência de vida era a mesma. E identificava-me um bocado com a própria história. A personagem não sou eu, mas a forma de estar de uma miúda de 21 anos partia de mim.

Consegue compreender a atitude que ela tem e que está no centro do filme?

Sim. A minha formação é em Psicologia clínica. Estudamos um bocado este tipo de situações. Há muita gente que toma este tipo de atitudes para resolver os problemas. Para mim, é extremamente plausível aquilo que ela faz.

O que acha que fez para convencer Manuel Mozos de que era a actriz que ele procurava?

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Não sei. Ele já me conhecia por recomendação do Alberto Seixas Santos, com quem eu tinha feito uma curta-metragem.

Mas como decorreu o processo de casting?

Houve dois castings. No primeiro, sei que fui seleccionada pela minha aparência física. É norma, porque se procura sempre quem tenha uma aparência física com a personagem. No segundo, já me foi dado um texto para trabalhar. E fiquei eu. Foi um processo normal. Eu é que tinha alguns problemas, porque estava em época de exames.

Já tinha feito alguns filmes, mas sem grande visibilidade. Acha que vai ser desta?

Espero que sim. Já estou nisto há quase sete anos. Já fiz três longas- -metragens e para aí umas dez curtas, mas só agora é que estão a começar a sair. O "Lavado em lágrimas" estreou, os realizadores começaram a conhecer-me, embora o público não. Acho que o "4 copas" vai dar-me um grande empurrão. E, no final do ano, vai sair o outro filme que fiz, o "Efeitos secundários", do Paulo Rebelo. Penso que vai ser agora.

O "4 copas" tem ingredientes para agradar ao público?

O outro filme que fiz era mais para um festival do que para as salas de cinema. O "4 copas" é um filme muito fresco e pode ser visto por qualquer pessoa. O Manuel Mozos conseguiu isso. É um filme de personagens, que pode ser visto daqui a dez anos. Espero agora vir a ter muito mais visibilidade.

Como espectadora, que relação mantém com o cinema português?

Desde que comecei a representar que dou muito mais atenção. Confesso que antes não via muito cinema português. Agora, tenho muito mais interesse e cada vez se têm feito melhores projectos. Há realizadores e argumentistas com ideias muito boas.

O que aprendeu ao trabalhar com actores como a Margarida Marinho, o João Lagarto e o Filipe Duarte?

Gostei muito de trabalhar com actores com uma carreira já perfeitamente estruturada. Transmitiu-me, logo à partida, uma grande segurança. Torna-se tudo mais fácil e aprende-se imenso. Conseguimos dar-nos muito bem, o que criou logo uma empatia muito grande. Aprendi muito com eles e ganhei uma grande confiança no meu trabalho.

Começou a representar muito nova. O que a levou a querer ser actriz?

Foi um pouco por acidente. Fui a uma festa do jornal "A Capital", onde trabalhavam umas amigas minhas e estava lá o actor João Cabral e a Marisa Salvador, da Madragoa Filmes. Vieram ter comigo a perguntar se não queria ir a um casting. Fui, fiquei e comecei a ganhar um gosto enorme por isto.

Então, não era ser actriz que dizia em pequena quando lhe perguntavam o que queria ser quando fosse crescida…

Nunca me tinha passado pela cabeça. Estive num colégio onde fiz teatro e aprendi a tocar muitos instrumentos. Mas faltava aquele bichinho para a representação. E a profissão é tão difícil em Portugal que se calhar por isso também nunca me passou pela cabeça ser actriz. Mas, neste momento, estou mesmo decidida a continuar a carreira como actriz.

Para quem não a conhece bem e gostava de saber mais de si, como é que se definiria, em duas ou três palavras?

Altamente observadora e extrovertida. Sou uma pessoa bastante alegre, vou tentando viver a vida ao máximo.

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