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"Artes têm papel fundamental na promoção da inclusão e igualdade"

"Artes têm papel fundamental na promoção da inclusão e igualdade"

O comissário do Plano Nacional das Artes (PNA), Paulo Pires do Vale, sublinhou hoje o papel "fundamental" das artes na existência humana, como via "determinante" para a promoção da inclusão, igualdade, encontro de culturas e respeito pelo património.

Contactado pela agência Lusa a propósito do início do projeto e das funções de comissário, que hoje começa oficialmente, o curador, ensaísta e professor salientou a importância deste projeto do Governo "na promoção do acesso à cultura" em várias frentes, desde as escolas, famílias, à comunidade artística e às instituições públicas e privadas.

"Há uma consciência que leva o Governo a querer promover este plano, de que as artes, no sentido plural, são um fator importantíssimo de desenvolvimento pessoal e comunitário, podem ter um impacto social e, por isso, devemos promover uma cultura mais participada e acessível a todos os cidadãos", disse à Lusa, sobre a importância da criação deste plano, que terá um horizonte de dez anos (2019-2029).

A comissão executiva, segundo o comissário, irá apresentar em maio, às respetivas tutelas - da Cultura e da Educação -, o primeiro plano estratégico e o plano de atividades para o ano letivo 2019-2020.

"Estamos a iniciar, portanto ainda ao nível das intenções, mas o trabalho será desenvolvido de forma a criar um plano para ser posto em prática já no próximo ano letivo", indicou.

Paulo Pires do Vale destacou ainda "a consciência democrática de fundo, que é a da igualdade de oportunidades no acesso à cultura", que a prossecução do plano pode potenciar, disse à Lusa, exprimindo gratidão pelo "convite inesperado" da ministra da Cultura, Graça Fonseca, que lhe suscitou "um sentimento de honra e de alegria, e também de grande responsabilidade".

No centro deste plano está "o potencial das artes para cultivar a autonomia pessoal, desenvolver a liberdade, uma formação integral da pessoa, não apenas do ponto de vista da consciência, mas também sensível".

Nesse sentido, "as artes têm um papel determinante no respeito pela diversidade, pela diferença, no respeito pelo outro, pela preservação do património e a promoção de uma atitude estética, de fruição", defendeu o curador.

A acompanhar Paulo Pires do Vale estão ainda dois subcomissários - a coordenadora do Museu do Dinheiro, Sara Barriga Brighenti, e o advogado e professor de música Nuno Humberto Pólvora Santos -, para liderar uma equipa que criará o plano.

Em fevereiro, uma resolução do Conselho de Ministros determinou a criação desta comissão executiva, que depende diretamente dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da Cultura e da Educação.

Na altura, os objetivos que o Governo indicou para a criação do PNA eram, entre outros, estimular a aproximação dos cidadãos às artes, proporcionar diversidade de experiências artísticas, fomentar a colaboração entre artistas, educadores, professores e alunos, para desenhar novas estratégias de ensino e aprendizagem, e alargar o âmbito das competências facultadas pelas escolas, abrindo-as à comunidade.

Paulo Pires do Vale indicou que o PNA irá organizar e conjugar todas as iniciativas já existentes vocacionadas para a comunidade, designadamente o Programa Rede de Bibliotecas Escolares, o Plano Nacional de Cinema, o Programa de Educação Estética e Artística, o Plano Nacional de Leitura 2017-2027, a Rede Portuguesa de Museus, bem como outros programas dispersos ligados a várias áreas artísticas.

"Vejo aqui uma forma de promover a educação para um tempo novo, que nos prepare para algo que ainda não existe, mas que será desafiante, e exige imaginação e criatividade", opinou o comissário, que é mestre em Filosofia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Apesar da comunidade educativa ser prioritária neste projeto, o ensaísta disse que o trabalho que irá desenvolver com a sua equipa visa "abranger um maior número possível de pessoas", o que será possível articulando as várias áreas e projetos existentes.

"Vamos criar algo que possa mudar a forma como nos relacionamos com as artes", salientou, sustentando que "será benéfico para os cidadãos em geral, e para os criadores, pelo papel social que podem realizar".

Em novembro do ano passado, no debate na especialidade sobre o Orçamento do Estado para 2019, a ministra da Cultura disse que queria ter nesse ano aprovada a equipa de gestão do Plano Nacional das Artes, que designou como "estrutura-chapéu" que envolveria os outros planos existentes para consolidar conteúdos artísticos nos currículos nas escolas.

O Plano Nacional das Artes consta das Grandes Opções do Plano (GOP) do atual Governo desde 2017, repetindo-se a intenção de criar tal projeto em 2018, em articulação com os demais planos de Leitura e do Cinema.