Marketing

Blue monday. Hoje é o dia mais triste do ano

Blue monday. Hoje é o dia mais triste do ano

De onde vem e como começou a celebração desta data peculiar.

Em 2018, o dia mais triste do ano é hoje. A história da "blue monday", geralmente a terceira segunda-feira de janeiro, começou em 2005 com uma campanha de marketing da empresa de viagens Sky Travel, que afirmava ter uma equação, devidamente escudada por um professor catedrático de Cardiff, Cliff Arnall, que permitia calcular a data exata do dia mais deprimente de cada ano.

A fórmula usava muitos fatores, incluindo: condições climáticas, nível da dívida (a diferença entre a dívida acumulada e a capacidade de pagamento), o tempo passado desde o Natal, o tempo desde a falha das resoluções do ano novo, níveis baixos de motivação e a sensação de necessidade de agir e o stresse que isso provoca. As unidades de medida não estavam bem definidas e rapidamente a comunidade científica se apressou a desmentir a teoria e o currículo do professor Arnall.

Consumir para compensar

Apesar da descrença científica em que caiu a efeméride, o marketing aproveitou o filão para celebrar este dia internacionalmente com uma série de campanhas que oferecem possibilidades de felicidade: saldos em viagens para locais paradisíacos, bolos, chocolates, massagens, bebidas alcoólicas e aulas em ginásios.

"Para mim, hoje é janeiro, está um frio de rachar, parece que o mundo inteiro se uniu para me tramar" - não precisávamos da ciência para nos reafirmar o que já Rui Veloso nos dizia em 1990, nessa canção icónica chamada "Não há estrelas no céu".

A verdade da mentira

"É preciso diferenciar a tristeza da depressão. A tristeza é uma emoção normal, desencadeada por um evento ou uma experiência difícil ou dolorosa, quando sentimos tristeza é por algo. Isso também significa que quando a situação muda, a nossa dor emocional desaparece. A depressão é uma doença, e séria, que precisa de tratamento", ressalva o psicólogo Pedro Dias.

A catarse que se segue

Como explica o clínico, a teoria da "blue monday" conseguiu ser credível por uma série de fatores que são de senso comum. "A diminuição de exposição à luz solar, mais comum nos meses de Inverno, faz com que as pessoas se sintam mais tristes pela baixa de serotonina, um neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco e sensibilidade à dor", conta.

"Se para muitas pessoas as festas são épocas felizes, estas são também épocas de catarse, quando a expectativa gerada é gorada, quer nos eventos familiares, quer nos balanços do novo ano, estas podem ter efeitos negativos", explica Pedro Dias. As dívidas contraídas na euforia do Natal podem também ser fator de preocupação nos orçamentos familiares nos dias imediatamente seguintes e esta é uma forma de o marketing atacar e apelar ao consumo numa época que seria de natural contenção.

A importância da luz solar

Pode parecer uma medida simplista, mas apanhar luz solar e ar fresco pode fazer uma grande diferença a nível do humor, do apetite e até do sono.

O açúcar e o humor

Não é em vão que algumas empresas oferecem bolos e chocolates, bem como bebidas açucaradas para combater a tristeza. O açúcar, aparentemente, é o melhor amigo do humor.

Exercícios e a dopamina

A prática de exercícios físicos aumenta o nível de neurotransmissores, como a noradrenalina, a serotonina e a dopamina, que produzem uma sensação de relaxamento e bem-estar no indivíduo.

Planear as férias

Começar a planear as férias de verão ou uma escapadela pode ser altamente benéfico para o humor. Utilizando o mesmo cálculo da "blue monday", o dia mais feliz do ano coincide no Hemisfério Norte com o solstício de verão.

ver mais vídeos