Universidade do Porto

Degradação de instalações preocupa o Teatro Universitário do Porto no 65.º aniversário

Degradação de instalações preocupa o Teatro Universitário do Porto no 65.º aniversário

O Teatro Universitário do Porto arranca esta quinta-feira com as celebrações do 65.º aniversário, estreando a peça "Medeia de Noitarder", mas o grupo de teatro académico lamenta ensaiar debaixo de chuva e ao frio, num edifício degradado.

O amor, a culpa e o remorso marcam a peça de teatro trágica "Medeia de Noitarder", que estreia esta quinta-feira, às 22 horas, na Travessa de Cedofeita, número 65, no centro do Porto, marcando o arranque das celebrações do 65.º aniversário do Teatro Universitário do Porto (TUP), que se prolongam ao longo de 2013.

Mas, no ano em que o TUP celebra aniversário, a principal preocupação dos atores é o "estado de degradação" e de "insegurança" do edifício em que trabalham, pois "chove lá dentro", "há frio" e as caixilharias e vidros estão partidos, desabafa à Lusa atual diretora do grupo teatral, Raquel S.

Alguidares a apanhar a água do teto, no meio do guarda-roupa teatral e das máscaras, ou baldes na casa de banho e nos corredores são uma espécie de "atores principais" do TUP num dia de intempérie, constatou a Lusa no local.

"O edifício está cada vez pior e tentamos sempre otimizar ao máximo a sala, mas a verdade é que quando chove muito, continuamos a ter de parar trabalhos", refere, recordando que "workshops" já tiveram de ser cancelados e material técnico ficou seriamente danificado.

Raquel S., 26 anos, licenciada em Filosofia e com mestrado em Literatura Portuguesa, conta que já pediu ajuda à reitoria da Universidade do Porto, mas recebeu como resposta que o edifício "não era elegível para reabilitação".

Em declarações à Lusa, Manuel Janeiro, pró-reitor da Universidade, disse que a instituição "não tem possibilidade, nem agora nem no futuro, de fazer intervenções" de reabilitação no edifício onde está o TUP.

"Desejamos que o TUP se mantenha, cresça e seja um espaço que promova a formação complementar dos estudantes", salientou, todavia, o pró-reitor.

Foi sugerido ao TUP, pela reitoria, a mudança para "outro edifício", localizado na praça Coronel Pacheco, mas os responsáveis pelo grupo recusaram por entenderem que esta alternativa não oferece as condições necessárias para a atividade teatral, informou a diretora, salientando que o "pé direito" da sala não dá sequer para fazer ensaios.

A Universidade transfere anualmente para o TUP cerca de cinco mil euros e oferece também apoio à divulgação interna e externa das atividades do grupo de teatro.

A diretora do TUP acrescentou que a companhia recebe também apoios da Fundação Gulbenkian e do Instituto Português da Juventude.

Apesar dos problemas logísticos que enfrenta, no TUP "há imensa vida" e "há muitas pessoas que querem continuar trabalhar", assevera Raquel S., salientando que o grupo continua a apostar na "dramaturgia própria" e nas "valências dos sócios".

A peça que vai dar o mote para o início das celebrações do 65.º aniversário foi escrita e encenada pela própria Raquel S. e vai estar em cena até 23 de fevereiro, de terça a domingo, no edifício cujo telhado está estragado e deixa a chuva entrar, apodrecendo os tetos e paredes.

A festa do aniversário vai prolongar-se ao longo de todo o ano de 2013. O grupo de teatro académico está a preparar um espetáculo de dança e o outro denominado "TUP Apresenta", com data de estreia marcada para 27 de março, Dia Mundial do Teatro.

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