Artes Plásticas

Extravaganza" e "Trabalho Capital" são as novas exposições do Centro de Arte Oliva

Extravaganza" e "Trabalho Capital" são as novas exposições do Centro de Arte Oliva

São João da Madeira inaugura sábado no Centro de Arte Oliva as exposições "Extravaganza", com 60 obras de Arte Bruta sobre o bizarro, e "Trabalho Capital", com trabalhos de 100 artistas sobre a dimensão cultural da indústria.

Ambas as mostras refletem novas abordagens às duas coleções particulares em depósito nesse equipamento cultural: "Extravaganza" reúne trabalhos da Coleção Treger Saint Silvestre, sob a curadoria de Antonia Gaeta, e "Trabalho Capital - Ensaio sobre Gestos e Fragmentos" explora parte da Coleção Norlinda e José Lima, sob o comissariado de Paulo Mendes.

No primeiro caso, a seleção de Antonia Gaeta baseia-se "na estranheza, na obsessão pelo obsceno e pelo 'nonsense', na recusa de regras lógicas onde há espaço para abstrações, no gosto pelo absurdo, a incongruência e todo o tipo de paradoxos."

A curadora italiana radicada em Portugal admite uma analogia com a "enciclopédia chinesa" a que o argentino Jorge Luis Borges alude na crónica "Empório Celestial de Conhecimento Benevolente", porque, tanto no catálogo mencionado pelo escritor como na presente exposição, um grande número de realidades coexiste sob uma aparente desordem.

"As obras não pertencem a um mesmo género ou a uma determinada área geográfica, nem ao mesmo período histórico. Os artistas são por vezes anónimos, pouco conhecidos ou trabalham sob pseudónimos. Quase analfabetos, sem formação artística ou literária, são, no entanto, capazes de trazer uma grande emoção espiritual e criativa a desenhos e retratos de cenários nunca vistos, fisionomias de difícil catalogação, a repetição obsessiva à mistura com a autoficção e, quiçá, a promessa de outra identidade", diz Antonia Gaeta.

"Extravaganza" combina assim obras de artistas clássicos da Arte Bruta como Friedrich Schröder-Sonnenstern (1892-1982) e Agatha Wojciechowsky (1896-1986) com autores recentes da Arte Outsider como Marilena Pelosi (1957) e até Derrick Alexis Coard (1981-2017) - cuja obra é uma das mais recentes aquisições da Coleção Treger Saint Silvestre.

Para Antonia Gaeta, a nova exposição privilegia, portanto, "a análise da relação entre a ideia de beleza e a harmonia", mediante "um conjunto de obras cujo denominador comum é uma dinâmica especulativa não linear - uma situação inconstante ou rapidamente mutável, fora do comum, bizarra".

Já no que se refere à mostra "Trabalho Capital", a seleção de Paulo Mendes cruza obras de cerca de 100 nomes da arte contemporânea internacional com "uma vasta seleção de material documental e espólio museológico industrial" da própria Oliva - a antiga metalúrgica onde hoje funciona o centro cultural e o polo de indústrias criativas de São João da Madeira.

Propondo-se analisar "o conceito de trabalho" em dois momentos, um envolvendo a atual "exposição-instalação" e outro anunciado para novembro, a mostra evoca "reminiscências do passado industrial em confronto com a produção artística contemporânea".

Dessa forma, Paulo Mendes coloca "a coleção Norlinda e José Lima em diálogo com novas obras realizadas para este projeto, outras já produzidas e, igualmente, material documental e técnico relacionado com a história da fábrica Oliva" - o que, por sua vez, materializa um convite para que público, criadores e investigadores explorem a "dimensão cultural do espaço físico pós-industrial".

A cenografia expositiva de "Trabalho Capital" procurará ter esse desafio em conta, ao envolver "propostas de transformação e práticas espaciais que exploram leituras interdisciplinares do património arquitetónico e dos espaços pós-industriais", facilitando a "fragmentação e recomposição de um espaço fabril que permite novos usos e sentidos performativos".

As exposições "Extravaganza" e "Trabalho Capital" podem ser visitadas até 13 de outubro, sendo que as inaugurações deste sábado à noite têm entrada gratuita e incluem animação por DJ.