Cultura

Morreu escritora cabo-verdiana Orlanda Amarílis

Morreu escritora cabo-verdiana Orlanda Amarílis

A escritora cabo-verdiana Orlanda Amarílis, autora de "Cais do Sodré Té Salamansa" e considerada a "renovadora do conto" no arquipélago, morreu no sábado em Lisboa, aos 89 anos, noticia, esta segunda-feira, a imprensa de Cabo Verde.

Orlanda Amarílis Lopes Rodrigues Fernandes Ferreira nasceu em 1924, na Assomada, Santa Catarina, ilha de Santiago, é considerada "uma notável contista" da ficção cabo-verdiana, temas "marcantes" das suas obras, que envolve perspetivas na área de literatura feminina, retratos da vida da mulher cabo-verdiana e da diáspora.

A viver em Portugal desde meados dos anos 1950, após uma estada em Angola, Orlanda Amarílis pertenceu ao movimento literário "Certeza" (1944), revista que, depois da "Claridade", segundo a crítica, marcou um "momento significativo" na vida cultural cabo-verdiana.

Como ficcionista, Orlanda Amarílis colaborou em várias revistas, como "Colóquio/Letras", "África" e "Loreto 13", da Associação Portuguesa de Autores, e está representada em várias antologias.

A escritora publicou vários livros de contos -"Cais de Sodré Té Salamansa" (1974), "Ilhéu dos Pássaros" (1983) e "A Casa dos Mastros" (1989), que foram também traduzidos para outras línguas, como o russo, húngaro e holandês.

Orlanda Amarílis era casada com o escritor português Manuel Ferreira e era filha do investigador Armando Napoleão Fernandes, autor do primeiro Dicionário Crioulo Português, bem como sobrinha do novelista António Aurélio Gonçalves. A irmã, Ivone Ramos, também é escritora.

O seu trabalho como autoria e ficcionista de grande qualidade literária foi reconhecido por críticos portugueses como Jacinto Pedro Coelho, Duarte Faria, Fernando Assis Pacheco, Casimiro de Brito e Pires de Laranjeira, entre outros.

Pela importância da sua obra, Amarílis liderou a geração de mulheres, sobretudo a nível da ficção, que ajudou a modernizar a literatura cabo-verdiana, abrindo as portas a nomes como Maria Margarida Mascarenhas, Dina Salústio ou Fátima Bettencourt, entre outras.

O funeral da escritora realiza-se hoje em Lisboa e o seu corpo será cremado e, conforme o seu desejo, as cinzas serão colocadas no jazigo da família.

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