1954-2017

Morreu o desenhador e autor de banda desenhada Fernando Relvas

Morreu o desenhador e autor de banda desenhada Fernando Relvas

Fernando Relvas faleceu esta terça-feira no Hospital Amadora-Sintra. A banda desenhada portuguesa perde um dos seus maiores criadores dos últimos 40 anos e uma das suas grandes referências.

O velório vai ter lugar na quinta-feira, nos Paços do Concelho da Amadora, a partir das 16 horas, de acordo com o vereador Agostinho Marques, que adiantou ainda que o corpo de Fernando Relvas vai sair daquele local pelas 11 horas de sexta-feira para o Crematório de Barcarena, em Oeiras, onde decorre o funeral.

Nascido em Lisboa, a 20 de setembro de 1954, publicou as primeiras bandas desenhadas pouco depois dos vinte anos, nas revistas "Chico" e "Fungagá", mas seria a estreia na revista "Tintin", em 1978, que lhe começaria a dar visibilidade. "O Espião Acácio" era uma crónica bem-humorada da Primeira Guerra Mundial, que aos poucos evoluiu para uma mistura anárquica de géneros e conceitos que seria uma das imagens de marca de um autor que viveu sempre no limite. "Viagem ao centro da Terra", adaptação da obra de Jules Verne, "Rosa Delta Sem Saída", "Cevadilha Speed" e "L123" foram as obras seguintes na mesma publicação.

Com o seu fim, Relvas saltou para o semanário "Se7e", de que se tornou uma das figuras mais visíveis. Amante da noite lisboeta, retratou-a como ninguém em histórias que espelhavam uma certa marginalidade, a irreverência, o experimentalismo e a sede de liberdade que se viviam nos anos 80 em Portugal. Num preto e branco contrastante ou com cores vivas, dominando as mais variadas técnicas, do pincel aos lápis de cor, do carvão a lâminas de barba, foi criando obras marcantes como "Concerto para Oito Infantes e um Bastardo", "Niuiork","Sabina", "O Diabo à Beira da Piscina", "Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino", "Karlos Starkiller" ou "O Atraente estranho".

O fim do "Se7e", em 1988, levou-o a publicar de forma dispersa em diversos jornais e revistas e a dar lugar à sua outra paixão, a História de Portugal, mas a vivida pelos protagonistas anónimos que a permitiram e para ela trabalharam - e em tantos casos morreram, revelada em "O rei dos Búzios", "Em Desgraça" ou "Çufo".

Já neste século, desiludido com o seu país e com as dificuldades de publicação, viveu alguns anos na Croácia, onde criou diversos webcomics, como "Palmyra", "Costa" 1 e 2, "Li Moonface" ou "Nau negra".

A justa apreciação do seu trabalho, que ao longo dos anos foi objeto de várias exposições antológicas, a última das quais no recente Amadora BD, é dificultada por muitas obras estarem inéditas em álbum e outras tantas espalhadas por diversas pequenas editoras.