Música

Papercutz levam pop e eletrónica a festival de Guimarães

Papercutz levam pop e eletrónica a festival de Guimarães

Os Papercutz, banda de pop e eletrónica, atuam esta quinta-feira, dia 12, no Westway LAB Festival em Guimarães. O fundador do grupo Bruno Miguel falou com o JN sobre o seu percurso e experiência internacional.

Bruno Miguel, de 37 anos, é sound designer, compositor, produtor e fundador da banda de pop e eletrónica Papercutz. Depois de viver nos Estados Unidos, atuar na Ásia e participar no EuroSonic, o artista regressou a Portugal para lançar o álbum "King ruiner" e esteve à conversa com o JN. A banda atua esta quinta-feira à noite no Westway LAB Festival, em Guimarães.

Como surgiram os Papercutz?
Eu tinha uma banda que se chamava Oxygen e já levava a música a sério, mas em 2005 comecei a trabalhar sozinho como sound designer. Nessa altura surgiu um convite dos Maus Hábitos para criar um CD multimédia e isso mudou tudo. Nessa fase comecei a perceber que me sentia bem a compor sozinho e gravei os primeiros temas, sem ter ainda nome definido para o projeto.

O nome do projeto é bastante singular...
"Paper cuts", em inglês, significa cortes de papel e há muita gente que associa a uma coisa dolorosa. Mas é também o corte de papel no sentido artístico, é a arte de cortar o papel para criar figuras e eu pensei que tinha esse trabalho com as músicas - sempre tive algum cuidado com o processo de edição e colagem, com atenção aos pormenores".

Viveu nos Estados Unidos e atuou na Ásia. Sente que essas experiências contribuíram para mudanças na sua música?
Claro! Sempre usei sonoridades asiáticas e presencia-las ao vivo permitiu-me diferenciar o que é a parte "turística" da música e o que é realmente a música local.
Mas a experiência de vida que mudou mesmo o meu trabalho foi estar nos Estados Unidos. Aprendi que nem tudo na música pode ser definido numa folha de papel, há coisas que acontecem naturalmente em palco. Antes de ir para lá estava muito fechado em mim próprio e desde que voltei estou muito mais aberto à possibilidade de trabalhar com outras pessoas.

O que mudou a sua forma de pensar?
Olhei para trás e percebi que podia ter feito mais coisas. Tudo o que tinha era Papercutz e há muitas outras coisas que eu gostava de fazer na música. Depois, foi o facto de ter um projeto só meu, em que todo o trabalho criativo anda à volta dele. Isso significa que há o perigo de criar uma espécie de espiral - o que também está representado no álbum -, qualquer coisa que corra bem ou mal vamos sempre culpar-nos a nós. Nunca temos outra forma de ventilar a música sem estar constantemente a julgar-nos, por isso percebi que é bom partilhar experiências com outras pessoas.

Quando fala em "entrar numa espiral" refere-se, também, ao facto de começar a criar música muito parecida? Tem música que coloca de lado por não "caber" em Papercutz?
Claro, isso também. Tenho mais música que quero apresentar e tento sempre evoluir, mas o facto de achar que há coisas que não fazem sentido em Papercutz faz com que fique preso num círculo. Isso cria algum entrave e não permite que se façam coisas diferentes porque "não cabem no cesto".

Como foi a sua experiência nos EUA?
Os Estados Unidos foram um total acaso e são uma fonte de inspiração, sobretudo pela forma como as pessoas vivem a música. Os melhores concertos que assisti foram realizados em salas pequenas, de forma descomprometida, e voltei a ter um gosto muito especial pela música. Foi lá que senti, novamente, a força da música e a ligação que se cria entre as pessoas é muito forte.

Em Portugal sente essa força e união entre os artistas?
Penso que em Lisboa, fora a competição que é notória, há uma ligação grande entre as bandas e os promotores. Mas no Porto penso que as coisas são um bocadinho mais fechadas.

Se tivesse de escolher, onde preferia atuar?
Gosto de tocar no Porto e em Lisboa, mas não acho que sejam os melhores sítios. Quando se toca fora dos centros urbanos, em que não existe tanta oferta cultural, a adesão e o reconhecimento por parte do público é maior.

Os Papercutz atuaram no EuroSonic. Como foi essa experiência?
Estávamos a arrancar com concertos em que mostrávamos temas novos, portanto foi importante poder experimentá-los num público que não nos conhecia. Isso fez-nos aprender e começamos a desenvolver uma linguagem mais interativa: o desafio é ganhar o público, sem o fazer de uma forma gratuita. O resultado do EuroSonic tende sempre a ser positivo.

O novo álbum, "King ruiner", foi lançado no final do ano passado. Como o descreve?
É provavelmente a maior transformação que tivemos até ao momento. Neste disco há coisas bastante diferentes, tanto em termos de vozes, como de ritmo - temos temas lentos e emotivos e outros eufóricos e explosivos. Nos concertos as pessoas param para ouvir e a reação é muito mais emotiva, por isso aproveitamos para perceber que temas funcionavam melhor e escolhemos os que faziam mais sentido para terminar o álbum.

ver mais vídeos