Música

The Cure agigantam Alive em duas horas de concerto "best of"

The Cure agigantam Alive em duas horas de concerto "best of"

Foram duas horas e oito minutos, 27 músicas no alinhamento, muita dança e muitas palmas em décadas de rock. O NOS Alive agigantou-se com The Cure, que revisitaram, quinta-feira à noite, 43 anos de carreira no passeio marítimo de Algés.

Foi provavelmente o melhor espetáculo que Robert Smith já deu em Portugal. Os The Cure subiram ao palco quando passavam dez minutos da meia-noite e só saíram de lá perto das duas horas e meia, num concerto longo, pleno de trunfos para satisfazer convertidos e não só.

The Cure teve, como esperado, a maior enchente do primeiro dia do NOS Alive. Começou com "Shake dog Shake" e acabou com a sempre na moda "Boys don"t Cry", numa descarga final de êxtase que fez daquela a melhor festa da primeira noite do festival. É um fim de primeiro dia do palco NOS que vai ficar na memória daquelas dezenas de milhares de pessoas que cantaram a plenos pulmões o sucesso intemporal da banda de Crawley.

Não foi um concerto de criar espanto onde estivessem guardadas surpresas. Foi, antes, uma ode ao profissionalismo musical onde o conteúdo se sobrepõe à estética desnecessária e o potencial musical é emanado pelos instrumentos sem cedências extemporâneas para agradar a quem quer que seja.

O álbum "Disintegration", que celebra 30 anos, foi revisitado, mas não faltaram os clássicos de sempre. Smith aparece com a voz que lhe reconhecemos há anos. Seguro, alternando entre composições de maior densidade com os temas que todos conhecem, de guitarra criativa na mão, revisitando praticamente todos os 13 álbuns que já lançaram desde 1976, ano em que tudo começou.

Raras vezes deambula no palco - esse papel é do baixista Simon Gallup - mas arranca lágrimas na progressiva "Pictures of You", do álbum "Disintegration", como demonstraram os ecrãs laterais. "Lovesong" foi outra. Brilhante, com um Smith inocente, confessional talvez, sempre secundado cada vez que dizia a frase "I will always love you".

A fase mais negra do grupo também deu um ar de sua graça, sobretudo com o hino gótico "A Forest" ou "A Hundred Years" com que saiu do palco. Regressaria para um encore de sete temas inaugurados com a multidão na festa de "Lullaby", a crescer em "Caterpillar" e a confirmar-se em "Friday I"m in Love", iniciada com uma espécie de ensaio do refrão em acústico, mas depois comemorada como sempre.

Se o NOS Alive é intergeracional, The Cure é-o na mesma medida. Se o festival é gigante,The Cure engrandece-o nessa dimensão. É certo que aquelas duas horas e oito minutos nunca vão ser esquecidas. Robert Smith é uma jóia rara que ainda parece atuar em 1976. Se os bons nunca morrem, ele e The Cure serão eternos. O concerto de ontem também.

Ornatos em versão "Monstro"

Sete anos depois, os Ornatos Violeta regressaram, juntos, para tocar "O monstro precisa de amigos" para uma plateia repleta e feliz. O vocalista explicou o hiato: "Esse é o encanto das coisas boas", justificou Manel Cruz, perto do fim do concerto que também marcou o primeiro dia de NOS Alive.