Cinema

Toda a gente acha que "Diamantino" é sobre Cristiano Ronaldo

Toda a gente acha que "Diamantino" é sobre Cristiano Ronaldo

Desde a passagem premiada pela Semana da Crítica de Cannes, em maio passado, que a expectativa era muita. Está nas salas "Diamantino", o filme em que todos veem uma sátira a Cristiano Ronaldo, embora Gabriel Abrantes recuse uma ligação direta: a obra "brinca com os estereótipos do que é um jogador de futebol e uma celebridade hiper-rica", explicou o realizador ao JN.

É verdade que há um personagem que é o melhor jogador de futebol do Mundo, nascido nas ilhas, com um pai que desaparece logo ao início do filme, uma família que gosta de aparecer e um filho adotado. Mas há muito mais. Numa fantasia louca que passa a correr na tela, há cães peludos gigantes e cor de rosa no meio de um campo de futebol, irmãs gémeas mais maquiavélicas que Cruella de Vil - interpretadas por Anabela e Margarida Moreira - refugiados num barco de borracha, experiências genéticas e referências ao Brexit.

O filme faz uso da transbordante imaginação de Gabriel Abrantes, aqui em correalização com Daniel Schmidt, já presente em várias das suas curtas-metragens multipremiadas internacionalmente.

Gabriel Abrantes explica-nos a génese do projeto. "De início, a personagem era uma mulher, inspirada na Angelina Jolie, na Madonna ou na Mia Farrow, três celebridades que fizeram uma adoção internacional. Queríamos brincar com esse tipo de personagem", admite. "Mas depois começámos a pensar em quem poderia ser essa estrela máxima em Portugal e rapidamente chegámos a um craque do futebol".

Explorar estereótipos

As semelhanças com CR7 são demasiado óbvias para serem ignoradas. Mas não houve nunca qualquer contacto entre a produção do filme e os representantes do jogador. "O filme é uma paródia", frisa Gabriel Abrantes, que "tenta fazer uma crítica aguda, mas cómica, a alguns dos aspetos mais absurdos desse tipo de personagem. Seria equivalente a Stephen Colbert contactar Trump, não fazia muito sentido".

Mesmo agora que o filme ganha exposição mediática, com cartazes espalhados pelo país, o realizador não teme nenhuma ação legal. "O filme é uma paródia, está defendido pela liberdade de expressão. Somos muito claros no início, não estamos a falar de uma personagem verídica". Pelo contrário, Gabriel Abrantes está otimista em relação ao sucesso do filme. "Não quero um público cinéfilo. Quero que qualquer pessoa veja o filme e acho que tem potencial para isso. É suposto ser uma comédia leve, com referências ao Mundo verdadeiro e a personagens que conhecemos".

Gabriel Abrantes confessa ainda a sua relação particular com o futebol: "Adoro ver jogos, mas não sou fanático. Não sigo nenhuma equipa nem vou bater em ninguém por ser de outra equipa. O que gosto mais é de ver pessoas fazer coisas que deveria ser impossível um ser humano fazer".

"Adorava ver o filme ao lado de Ronaldo"

Carloto Cotta, o protagonista, não é afinal um novato no futebol. "Joguei no Belenenses quando era miúdo", recorda. "Como filmámos no Restelo, foi quase redentor, quando era miúdo nem sequer era titular. Mas não acompanho, sou do Belenenses clube, estou na Distrital".

Quanto à preparação física, admite que foi muito dura. "De um dia para o outro disseram-me que íamos filmar daí a três meses. Estava meio gordinho, não estava com o corpo de um jogador de futebol. Tive de começar a treinar todos os dias". Mas não hesita: "Adorava ver o filme ao lado de Cristiano Ronaldo".

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