Maus Hábitos

Volkan Diyaroglu: Perigo da tecnologia e do nacionalismo

Volkan Diyaroglu: Perigo da tecnologia e do nacionalismo

Exposição de Volkan Diyaroglu reúne dez obras em que o tema é a emergência.

Impressões digitais, esculturas e pinturas contra nacionalismos perigosos e manipulações tecnológicas estão no centro do trabalho que Volkan Diyaroglu tem em exposição no Maus Hábitos, no Porto. O autor da mostra "Eu nunca emergi - emergir para afundar" aborda a emergência contemporânea. "As emergências estão todas relacionadas", diz. Alerta à navegação: a exposição pode chocar. Seguramente vai emocionar.

Volkan Diyaroglu tem 36 anos, nasceu em Istambul, na Turquia. Escolheu viver em Espanha. Este ano foi selecionado para a residência artística de um mês no Maus Hábitos e foi aí que surgiram as oito obras daquela que é a sua vigésima exposição individual. Juntou mais duas peças de impressão digital por entender que fazem sentido ali. Pense nisto: como é que se olha uma nota de dez euros de perfil? É o valor do salário de um congolês.

"Borrar, construir e reconstruir" é o processo que alimenta as pinturas de Volkan, para apagar bandeiras e nacionalismos. Até o último modelo de computador compõe esta exposição - só que não funciona. "Queremos crer. Pensamos que estamos a avançar, mas não estamos. E sabemos isso".

Há outra escultura. É a imagem de uma criança a chorar numa pedra mármore equilibrada numa pilha de tijolos. Tem uma data gravada, 1991. Os rapazes não choram? É a data da circuncisão de Volkan.#Tinha nove anos. A obra denuncia os choques culturais, porque a Europa Ocidental, sabe o autor, "não percebe porque nos fazem isso. É como as outras emergências". É como a vermelha bandeira turca, desconstruída no canto da sala, a aludir ao sangue derramado por causa do nacionalismo.

Volkan acredita que as emergências - políticas, sociais ou económicas - agravaram-se com a evolução da tecnologia. Por isso não gosta do artista plástico Anish Kapoor, cuja obra está em exposição em Serralves. É como as pessoas que antes de fazerem alguma coisa, já estão a pensar no impacto que isso irá causar nas redes sociais. Para Volkan, Kapoor é movido pelo mesmo impulso: "dedica-se à decoração da internet. Faz da arte algo muito popular. E tanto populismo pode ser perigoso". "Os avanços que vemos vão todos na mesma direção: exercer controlo e ter mais poder". Volkan acredita que estamos a emergir, mas sabemos que vamos afundar outra vez.

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