Banda Desenhada

Livro de Bernardo Majer examina dores de crescimento da vida moderna

Livro de Bernardo Majer examina dores de crescimento da vida moderna

São pequenas histórias, contemplativas e intimistas, que ilustram a complexa banalidade das existências nos nossos dias.

Descoberto pela banda desenhada portuguesa em 2019, como desenhador de "Toutinegra", a partir de um argumento de André Oliveira, Bernardo Majer fez recentemente o seu regresso às edições impressas com "Estes dias".

Coletânea de histórias curtas, de que é autor completo, apresenta-nos uma série de reflexões desenhadas que nos falam de momentos característicos dos dias que vivemos: Alberto sofre as dores da passagem das utopias pós-adolescentes para a dura realidade do mercado de trabalho a sério, monótono e nada estimulante; Carolina, vive o absurdo de uma relação tóxica iniciada após uma chantagem por partilha de fotos íntimas; João e Leo vivem de forma diferente o recente divórcio dos pais, mas ambos só desejam fugir para longe; Sofia, tem uma obsessão pelo namorado da melhor amiga; um casal sem nome assiste impotente ao aumento da distância entre ambos, até não haver pontes capazes de a transpor; Flor é intolerante à lactose e Rui não gosta de passagens de ano.

E, mesmo que involuntariamente, é esta última imagem que melhor define todos eles, pela sua incapacidade de mudança, de fuga às rotinas e ao ramerrame quotidiano vivido em lugar dos sonhos antigos de independência e autorrealização.

São pequenas histórias, contemplativas e intimistas, que ilustram a banalidade das existências nos nossos dias, os pequenos nadas que, por serem nossos, se transformam em enormes obstáculos que nos fazem ver o mundo de outra forma - ou nos impedem de vê-lo.

Batizadas com o nome de alguns meses do anos, cada uma delas, de certa forma, está pintada com a paleta de cores que os evocam, reforçando assim a pertinência do momento e a assertividade da sua escolha como época da narração - embora as situações mostradas possam acontecer a qualquer momento do ano, que é como quem diz das nossas vidas.

Ao fim e ao cabo, são um conjunto de crónicas sensíveis sobre o nosso tempo, sobre os seus excessos e lacunas; crónicas atentas e certeiras mas sem as respostas que só cada um de nós poderá dar.

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