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Mão Morta demarcam-se das "polémicas degradantes" em torno da Festa do Avante

Mão Morta demarcam-se das "polémicas degradantes" em torno da Festa do Avante

Confirmada ontem no cartaz do festival organizado pelo PCP, a banda de Adolfo Luxúria Canibal recusa participar no coro de reações dos artistas, criticados por José Milhazes por se associarem a "a um partido que apoia regimes hediondos".

"Os Mão Morta não tomam parte das degradantes polémicas da aldeia global", foi o lacónico comentário da banda Mão Morta à polémica levantada pelas declarações do comentador de televisão José Milhazes, que criticou os artistas que aceitaram atuar na Festa do Avante!, organizada pelo PCP, quando deveriam ter recusado, em virtude do que considera serem as posições daquele partido face à invasão da Ucrânia por parte da Rússia. A banda de Adolfo Luxúria Canibal foi ontem à tarde confirmada no cartaz do festival, que se realiza de 2 a 4 de setembro na Quinta da Atalaia, no Seixal.

Assim que foi feito o anúncio da entrada da banda de Braga no cartaz, as críticas dos fãs chegaram às redes sociais, onde se podem ler comentários como "São uma desilusão" ou "Para mim, vocês morreram hoje", à mistura com mensagens de incentivo e apoio. O mesmo aconteceu nas redes sociais de outros artistas do cartaz do Avante, com alguns deles a reagir apaixonadamente àquilo que consideraram ser uma polémica sem fundamento.

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Um deles foi Dino d´Santiago que, através da sua página de Instagram, declarou não poder ficar em silêncio "perante o insulto profano e desmedido", depois de ter recebido mensagens que o responsabilizavam "pelo sangue ucraniano derramado nesta guerra". E Dino escreveu: "Sim. Sou responsável pelo sangue derramado nesta e em todas as guerras, em ambos os lados da trincheira! Porque sou um filho do século XX! O século mais assassino da história da Humanidade! Nas NOSSAS mãos carregamos o sangue de mais de 100 Milhões de Seres Humanos, mortos em nome do Poder, Religião ou Genocídio fruto de uma "demência criminosa com breves intervalos de lucidez.". O artista devolveu a crítica aos seus críticos, afirmando que "parece que despertou finalmente a compaixão do privilegiado Eurocêntrico que hoje prova o sabor do seu próprio veneno "Ocidental"."

"Sou e serei sempre pela PAZ em qualquer canto deste Globo!", referiu Dino d´Santiago, que rematou: "E enquanto tiver munições viajarei por todos os lugares onde sou bem-vindo". Paulo Bragança, que vai basear o seu concerto no Avante na homenagem a Adriano Correia de Oliveira que tem marcado a sua carreira nos últimos tempos, falou do assunto esta semana, no programa Posto Emissor, do Blitz. "Eu vou trabalhar, vou fazer o meu trabalho e mais nada. De resto, nunca vi na festa do Avante andarem a recrutar ninguém para coisa alguma. Vou hoje e vou amanhã, sou um homem de paz e vou pela paz", afirmou.

O lume da polémica foi atiçado por José Milhazes, na semana passada, no "Jornal da Noite" da SIC, quando criticou os artistas que fazem parte do cartaz. "Eles são livres de participarem no que quiserem, mas que pensem bem porque estão a participar numa festa que não é só musical, é uma festa política de um partido que apoia regimes hediondos", afirmou o antigo jornalista, que é atualmente comentador político., e foi um dos mais conhecidos correspondentes portugueses na Rússia, de onde regressou há alguns anos.

O músico Scúru Fitchádu reagiu também à crítica de Milhazes, em declarações ao jornal Público, afirmando concordar com Dino d´Santiago e que vai ignorar as mensagens que o criticam, já que o seu lugar de expressão é o palco. "Não me cabe a mim defender o PCP, mas é nítido que, nos últimos anos, como aconteceu no último ano da pandemia, esse partido é atacado para aproveitamento político. Neste caso, hostilizam-se os artistas para atingir o PCP", afirmou. Carminho, Ricardo Ribeiro, Júlio Resende, Fogo Fogo com Dany Silva, Carlos Leitão, Emílio Moret com Vitorino Salomé, Marta Ren, Pongo e Bia Ferreira são outros nomes com presença confirmada no palco do Avante!. Contactado pelo JN, o PCP afirmou não ter comentários a fazer sobre o assunto.

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