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Marco Paulo celebra hoje 75 anos

Marco Paulo celebra hoje 75 anos

Marco Paulo já comemorou 50 anos de carreira e foi galardoado com mais de 140 prémios de platina, prata e ouro, sendo um verdadeiro recordista em Portugal. Hoje celebra 75 anos. E, às vezes, diz que dá consigo a pensar: "Meu Deus, como é que um dia me vou despedir?

João Simão da Silva, reconhecido pelos portugueses como o ícone da música popular portuguesa Marco Paulo, nasceu a 21 de janeiro de 1945 numa pequena vila do Alentejo. Estreou-se, ainda em criança, numa festa de casamento, em Alenquer, ao som da famosa voz infantil de Joselito. Em 1966, lança o seu primeiro EP. Um ano depois, participa no Festival da Canção da RTP e conquista os portugueses.

Mas ainda precisará de esperar quase uma década para alcançar o seu primeiro disco de ouro, com o tema "Ninguém Ninguém" (1978), que vendeu 85 mil cópias. O single "Eu Tenho Dois Amores", editado em 1980, é o maior sucesso de Marco Paulo até hoje, com 195 mil discos vendidos.

"O Disco de Ouro" é um álbum que inclui a maioria dos grandes êxitos do artista. É editado em 1982, para celebrar os seus primeiros 15 anos de carreira. O disco vende 140 mil exemplares e conquista quatro discos de ouro.

Uma semana após a edição de "Joana" (1988), este tema iria valer-lhe o Disco de Ouro, alcançando quatro platinas, com 145 mil singles vendidos. A somar aos sucessos da altura, o artista edita "Sempre Que Brilha o Sol" e conquista quatro discos de ouro.

Com a canção "Taras e Manias", Marco Paulo obtém cinco discos de platina em 1991. E, nesse mesmo ano, com a coletânea "Maravilhoso Coração", consegue vender 175 mil discos. Na sequência desse êxito, recebe o Troféu de Diamante.

A superação da doença e a perda dos caracóis

Em 1994, à margem da sua carreira musical, ingressa na televisão, para apresentar o programa da RTP "Eu tenho dois amores". É exibido aos domingos à noite, e rapidamente considerado um grande sucesso de audiências.

Dois anos depois lança "Música no Coração" mas, ao mesmo tempo, é diagnosticado com cancro do cólon. Até esse momento, numa carreira que já contava 30 anos, Marco Paulo vendera milhões de álbuns e conquistara nada menos do que 60 discos de ouro e platina.

Após a mudança para a editora "Zona Música" em 2001, lança o álbum "35 anos da Nossa Música" que surge após a sua recuperação oncológica. Esse trabalho é reconhecido pelos temas "Nossa Senhora", "Te amo, te amo" e "Amália, a nossa voz". Seis anos depois, o artista procura uma mudança positiva na sua carreira com o disco "Marco Paulo". Em 2009, lança "De Corpo e Alma" e, com os 13 temas desse álbum, conquista dupla platina.

O álbum "Diário" chega ao mercado em 2015 e volta a conseguir dois discos de platina.

Em 2016, Marco Paulo celebra 50 anos de carreira e realiza uma digressão para comemorar a data. À "Notícias Magazine", Marco Paulo afirma, então, a propósito: "criei um estilo e marquei uma época".

Sobre a sua mítica imagem de marca - os caracóis e o truque do microfone -, o cantor disse que "foi sempre tudo muito natural, mesmo o gesto com o microfone. O cabelo encaracolado também não foi pensado. Um dia tomei duche e não sequei o cabelo. A partir daí encaracolou. Muita gente ia aos cabeleireiros pedir o meu penteado e havia quem me puxasse o cabelo para ver se era peruca. Ou se é artista ou não se é artista. Achei sempre que não podia só cantar, mas também não fui pedir a ninguém para criar uma imagem."

Ainda nessa entrevista, o cantor fala do diagnóstico de cancro e da fase de recuperação. "Foi‑me dito que o tumor era muito grave e que teria poucos dias de vida. Como era possível, se na véspera estava bem? Sempre pensei que era engano. A quimioterapia e a queda do cabelo foram o segundo choque. Era a minha imagem, o cabelo fazia parte dela. Sem ele, sentia‑me despido. Não era por vaidade, mas tinha gosto nele." Ainda assim, apesar da doença e de lhe terem dado poucos meses de vida, Marco Paulo admite não se ter sentido incomodado com o facto de não ter tido filhos. "Não aconteceu e nunca senti falta. Estava tão obcecado com o meu trabalho e com o sucesso que ele me proporcionava, que tinha pouca disponibilidade. Depois, nasceu o meu afilhado. O Marco António, hoje com 25 anos. É como se fosse também meu. Criar é amar. E estou bem como estou."

Reconhece ainda o facto de o seu pai não lhe ter aceitado a carreira de música como caminho certo a seguir: "Sobre dois assuntos nunca trocámos uma palavra: religião, que não era a mesma (pai protestante, filho católico) e espetáculos. Sempre que me via na televisão comentava com a minha mãe, mas nunca me disse nada. Nunca deu o braço a torcer."

Numa recente entrevista ao Diário de Notícias, Marco Paulo acrescentou: "o meu pai nunca pensou que fizesse uma carreira de 50 anos. Porque ele achava que isto era um hobby que as pessoas estavam a aplaudir muito e um ano ou dois depois esqueciam-se, que era tudo muito passageiro. Os que hoje gostavam, amanhã já não gostariam. Por isso é que gostava que ele tivesse estado presente quando comemorei os 50 anos." No entanto, o cantor diz que "não tinha de provar nada" ao seu pai, porque isso seria "entrar em despique com ele". E continua: 'Você, pai, não queria e afinal eu consegui.' Podia não ter acontecido e o meu pai não ia confrontar-me: 'Vês?'. Felizmente tive o apoio dos portugueses e das editoras com que trabalhei. O público merece o melhor que todos nós possamos fazer."

Então com 72 anos, Marco Paulo admitiu que não iria terminar a sua carreira em breve. Ao DN disse: "sou incapaz de virar as costas a um público que me foi tão fiel. Às vezes, estou sozinho e penso: "Meu Deus, como é que um dia me vou despedir?". Com 50 anos de carreira e considerado um dos cantores mais populares do país, Marco Paulo reconhece que entrar em palco ainda é um momento que valoriza e agradece: "É sagrado. É um momento sagrado. Porque o palco é uma coisa especial." Numa entrevista à rádio Observador, o artista popular comove-se ao falar sobre a saída definitiva dos palcos: "Estou-me a arrepiar todo só de pensar nesse momento."

Em 2019, a RTP Memória cria a série documental "Vejam Bem", com o jornalista Nuno Galopim. Com 10 episódios atribuídos a grandes nomes da música portuguesa, como José Mário Branco, Carlos do Carmo, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho ou Simone de Oliveira, a série da RTP faz um tributo à música nacional. No quinto episódio, intitulado "Maravilhoso Coração", conhece-se o percurso musical de Marco Paulo.

Nuno Galopim explicou que o objetivo desse projeto era contar "as histórias de quem faz música pela sua própria voz. Entre palavras, imagens e canções vemos biografias dos grandes músicos portugueses do nosso tempo".



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